Campinas celebra 252 anos nesta terça-feira (14), e uma produção cinematográfica em andamento busca ressignificar a história de seu maior símbolo cultural: o maestro Carlos Gomes. O filme 'Força Indomável', dirigido pela cineasta e pesquisadora Ariane Porto, revela que o compositor, nascido em 1836, era filho de um negro e de uma indígena – origem apagada ao longo do tempo devido ao preconceito racial.
Origens omitidas e preconceito
Segundo a diretora, na época em que Carlos Gomes viveu, Campinas e o Brasil passavam por tensões sociais relacionadas ao fim da escravidão. Por conta desses conflitos, a informação sobre seus pais foi omitida por muitos anos. 'Todas as dificuldades que ele teve de vencer: alisar o cabelo para poder ser aceito, tentar alisar o bigode. Ele tentou apagar a sua identidade para ser aceito numa sociedade que não aceitava pessoas como ele', explicou Ariane.
O longa-metragem, ainda sem data de lançamento, busca conectar a história do maestro com a de Campinas. 'A partir da história de Carlos Gomes, vamos mudar esse passado, vamos ressignificar quem foi esse primeiro herói nacional', comentou a diretora.
Inspiração para novos artistas
Mais de um século após sua morte, Carlos Gomes – conhecido como 'Nhô Tonico' – continua inspirando novos talentos. O jovem tenor Jean William interpretará o compositor no filme. 'Contar a história de uma cidade através da arte é certamente a forma mais gentil e honesta de dizer o quanto a importância da coletividade forma uma sociedade', destacou o cantor.
A produção conta com a consultoria musical da pianista campineira e vencedora do Grammy, Sônia Rubinsky, que vê Campinas como potência artística. 'Eu dancei no Teatro Municipal, eu toquei no Teatro Municipal. Era uma joia. Quando nós realmente entendemos a importância do nosso legado, as pessoas de fora também vão entender', afirmou.
Legado de Carlos Gomes
Nascido em 11 de julho de 1836, em Campinas, Carlos Gomes foi o primeiro compositor latino-americano a alcançar sucesso na Europa, destacando-se com a ópera 'O Guarani'. Em 1945, foi nomeado patrono imortal da Academia Brasileira de Música.
O maestro é homenageado de diversas formas na cidade: a Praça Bento Quirino, na região central, abriga um monumento-túmulo de granito com estátua de bronze em tamanho real; a Câmara Municipal concede a 'Medalha do Mérito Cultural Carlos Gomes' a destaques artísticos; a Praça Carlos Gomes, no centro, recebeu seu nome em 1880; e o time de futebol Guarani Futebol Clube, campeão brasileiro de 1978, inspirou-se na famosa ópera do compositor. Projetos também resgatam suas obras, inclusive com novas versões.



