A Playboy, tradicional revista voltada ao público masculino, decidiu reformular seus famosos ensaios fotográficos e a imagem das “coelhinhas” em uma tentativa de modernizar a marca e adotar uma abordagem considerada mais respeitosa.
Nova abordagem e primeiro editor-chefe gay
“Sempre houve uma diferença entre a Playboy e a pornografia, especialmente em relação aos tipos de conteúdo pornográfico que são muito comuns atualmente e aos quais as pessoas têm acesso simplesmente por possuírem uma conta nas redes sociais”, afirmou Philip Picardi, editor-chefe e diretor de marca da Playboy, à revista Press Gazette. Picardi é o primeiro editor-chefe assumidamente gay da marca.
A mudança ficou mais evidente no recente ensaio da atriz e modelo Cara Delevingne, publicado na segunda edição após o relançamento da versão impressa da revista, interrompida em 2020. A publicação passará a ter periodicidade trimestral. A primeira edição após o retorno contou com um ensaio de Karol G, famosa cantora pop colombiana.
Arte e reflexão na nudez
“Por isso, achei o desafio de trazer de volta a arte e a reflexão à nudez extremamente empolgante como artista”, acrescentou Picardi. “Não chego a chamar o que fazemos na Playboy de feminista, porque considero esse um termo carregado de significados e tenho certeza de que muitas pessoas discordariam dessa classificação”, afirmou.
Agora, Picardi pretende “restaurar a narrativa” que, segundo ele, teria sido responsável pelo grande sucesso da Playboy, além de expandir a atuação da marca para o audiovisual. A missão é tornar a revista mais “autêntica”. “Há uma autenticidade e uma crueza nas imagens que me renderam um retorno muito positivo. Não apenas de homens, mas também uma resposta excepcional de mulheres”, declarou.
Acusações contra Hugh Hefner e histórico
Nos últimos anos, a marca também enfrentou repercussões relacionadas a acusações contra Hugh Hefner, fundador da revista em 1953. Morto em 2017, aos 91 anos, ele foi acusado por ex-namoradas, antigas coelhinhas da Playboy e ex-funcionárias de fomentar uma cultura de manipulação, coerção e exploração sexual na famosa Mansão Playboy.
A revista deixou de publicar ensaios de nudez em 2015, mas voltou atrás na decisão em 2017. Em 2020, interrompeu a produção impressa, retomada apenas seis anos depois. Em 2025, a receita da empresa cresceu 4%, o que contribuiu para reduzir o prejuízo líquido de US$ 79,4 milhões — cerca de R$ 410 milhões — para US$ 12,7 milhões, aproximadamente R$ 67 milhões.



