Dias antes de anunciar uma pausa na carreira, Ariana Grande deixou pistas de que estava revendo sua relação com os holofotes. No disco "Petal", lançado nesta sexta-feira (31), a cantora se debruça sobre sua relação com a fama, a dor e o amor — romântico, sim, mas principalmente o amor dos fãs. "Todas as minhas histórias favoritas / Terminam em algum tipo de catástrofe / Mas eu não preciso que alguém me salve / Porque esta música e eu nunca morreremos", entoa a artista no início da faixa-título.
O significado por trás do nome 'Petal'
O nome "Petal" vem do verso "petal on the pavement" (pétala na calçada): algo delicado e frágil, solto em meio a um ambiente hostil, que vai se desgastando com o tempo. É curioso o uso dessa metáfora da fragilidade. Nos últimos anos, a cantora alarmou seus fãs ao perder peso continuamente — e agora anuncia que vai se afastar dos holofotes devido ao "escrutínio público incessante".
Ninguém sabe ao certo o que está acontecendo com Ariana, uma figura pública cuja imagem, mais do que nunca, tem se tornado ponto de discussão. Por isso, este álbum poderia contar um pouco do lado dela.
Um disco honesto e com raiva
Em um vídeo publicado no Instagram, a artista disse que "Petal" seria um disco honesto, feito com uma certa raiva até. Em algumas letras, ela mostra que tem suas questões com a fama e se pergunta o que deixou de viver por ser famosa. "Algum dia, todas as sementes vão abrir / Toda a vida humana que eu sonhei / Será real se eu começar de novo", canta em "Freak".
Mas, ao mesmo tempo que há pinceladas de como Ariana vem se sentindo, o álbum soa meio nebuloso — e é mais melancólico que raivoso. Talvez seja culpa da combinação entre letras e som.
Transição sonora e influências
Musicalmente, "Petal" continua a transição sonora que ela começou nos últimos discos. Há menos do pop com influências de R&B e trap que a firmou (mas que aparece levemente na faixa-título) e ela caminha para um som mais etéreo e eletrônico, calcado na influência de sua ídola Imogen Heap (nítida na faixa final, "Nobody Nowhere"). O disco "Eternal Sunshine" (2024) já abria esse caminho, mas soava mais cristalino e esperançoso; "Petal" é mais abafado e, em várias músicas, Ariana soa escondida na mixagem.
Ainda há ecos daquela persona sexy e ousada de outrora, como em "Big Feelings". Mas, pelos vocais, parece que nem ela quer mais o papel da "mulher perigosa" que já encarnou. Afinal, ela agora é uma pétala.
Produção e novas sonoridades
Nada no som desse disco é brutal, nem mesmo os vocais. Aqui, Ariana deixa o belting de lado quase por completo e prefere harmonias que servem de "cama" para uma linha de voz também contida. Em vez disso, o foco está mais na produção, que Ariana assina ao lado do sueco Ilya. Ela até arrisca novas sonoridades, como o garage "Oh Well" e o interlúdio "Warning Signs", que brinca com synths e distorções para terminar em um verso dolorido: "Eu só quero que alguém me ouça".
De modo geral, esse é o tom de "Petal": há boas ideias em músicas delicadas, que mostram uma artista refletindo sobre sua vida. Mas o resultado é pouco marcante, esmaecido, como nas fotos de divulgação.



