Belo in concert: Uma noite no reino do pagode romântico no Rio
Belo in concert: Noite de pagode romântico no Rio

Enquanto artistas e jornalistas se reuniam no Theatro Municipal do Rio de Janeiro para a 33ª edição do Prêmio da Música Brasileira, na noite de quarta-feira, 10 de junho, o jornalista musical seguiu para a casa Vivo Rio, próxima ao centenário teatro, na região central da cidade. O motivo era assistir pela primeira vez a um show de Belo, em quase 40 anos de carreira na crítica musical.

Primeira experiência com o cantor

Nunca havia visto Belo ao vivo, embora aprecie o cantor paulistano e reconheça sua influência sobre vocalistas de grupos de pagode atuais. Com toques de soul e R&B, Belo inaugurou, nos anos 1990 como vocalista do Soweto, uma escola de canto no samba, especialmente no pagode romântico – termo que define Marcelo Pires Vieira no pop brasileiro. Admiro também sua capacidade de renascimento artístico: errou, pagou caro, reconquistou o público e abriu novas frentes, como a carreira de ator. Recentemente, estreou na novela “Três Graças”, conquistando público, crítica e colegas como Marcos Palmeira. Feito celebrado no palco da Vivo Rio durante o show “Belo in concert”.

Carisma e presença de palco

Sentado em mesa à beira do palco, testemunhei o que já imaginava: além da voz, Belo tem estrela, charme, carisma e imprime sentimento ao canto. Assim que apareceu, com 40 minutos de atraso, diante de um cenário virtual imponente, cantou “Perfume” e teve o público na mão. E tome pagode romântico! Todos cantados em coro. Admito restrições ao repertório de Belo – acho repetitivo na forma e temática –, mas, pelo que vi, o problema é só meu. O público ama pagodes como “Desse jeito é ruim pra mim” e “Preciso te amar”. Ciente de que reinava soberano, o cantor jogou charme, interagiu com as quatro bailarinas e até brincou sobre ter sido criticado ao cantar o “Hino Nacional Brasileiro” com Alcione. “Vocês querem ouvir o hino?”, perguntou, e logo esclareceu: referia-se ao “hino do pagode”, título que dá à música “Reinventar”.

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Crooner e sucessos alheios

Felizmente, “Belo in concert” também traz versões de sucessos alheios. Como crooner, Belo incursionou pelo pop dos anos 1980, cantando hits de Fábio Jr. (“Quando gira o mundo” e “Caça e caçador”), Guilherme Arantes (“Um dia, um adeus”, em versão minimalista, quase a capella), Ritchie (“Transas”) e Roupa Nova (“A viagem”), entre outros. Rolou até “Explode coração”, de Gonzaguinha, consagrada por Maria Bethânia em 1978, quando Belo tinha quatro anos na periferia de São Paulo. Mas sempre voltava ao próprio repertório, pois o público queria ouvir Belo cantando músicas de Belo e do Soweto.

Entendendo o sucesso

Após uma noite no reino de Belo, posso dizer que entendo seu sucesso longevo. Ele tem estrela, voz e aquele algo mais. E, como ele canta na versão pagodeira de “Amor perfeito”, o que passou… passou.

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