Vietnã lidera turismo no Sudeste Asiático com 21 milhões de visitantes em 2025
Vietnã lidera turismo no Sudeste Asiático em 2025

O Vietnã consolidou-se como o destino turístico mais procurado do Sudeste Asiático em 2025, com mais de 21 milhões de visitantes, um aumento de 20% em relação ao ano anterior. Os dados oficiais indicam que o país superou a Tailândia na preferência dos turistas chineses, atraindo 5,3 milhões de viajantes da China, contra 4,5 milhões registrados pela Tailândia. A meta do governo é gerar 1,1 quatrilhão de dongs vietnamitas, equivalentes a US$ 41 bilhões, com o turismo neste ano.

Fatores do crescimento turístico vietnamita

O vice-primeiro-ministro Mai Van Chinh atribuiu o sucesso à localização privilegiada e ao patrimônio cultural do país. “A diversidade culinária, as belas paisagens e a gentileza do povo são nossos diferenciais”, afirmou durante um fórum de turismo em setembro de 2025. A procura não se limita aos tradicionais centros de Hanói e Ho Chi Minh. Dados da plataforma asiática de viagens Klook mostram que as visitas à Ilha de Phu Quoc e à cidade de Sa Pa, no noroeste, mais que dobraram no ano passado. “Os turistas buscam destinos com foco na natureza e culturas distintas, além das grandes cidades”, explicou CS Soong, vice-presidente de desenvolvimento corporativo da empresa.

Estratégia para turistas de alto gasto

Embora o setor manufatureiro seja o carro-chefe da economia vietnamita, o turismo já contribui com quase 10% do PIB. Le Hong Hiep, pesquisador sênior do Iseas – Instituto Yusof Ishak em Singapura, destacou que o Vietnã está competindo diretamente com Tailândia e Malásia para se tornar o principal destino regional. “Os mochileiros não gastam muito. O governo está tentando atrair turistas que possam gastar mais e ficar mais tempo no país”, disse. Para isso, o país aposta em turismo de negócios, saúde e luxo. O Ministério da Saúde projeta que o turismo médico cresça de US$ 700 milhões em 2024 para quase US$ 4 bilhões em 2033. Já as viagens para conferências devem saltar de US$ 7,8 bilhões atuais para US$ 10,3 bilhões em 2031, segundo a Mordor Intelligence.

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Facilidades de acesso e expansão aérea

A simplificação de vistos impulsionou o fluxo turístico. Em 2025, o Vietnã ampliou de 12 para 39 países com isenção de visto, permitindo estadias de até 45 dias. “Suspender restrições de visto é benéfico para qualquer destino; os turistas podem ser mais espontâneos”, afirmou Alexandra Murray, vice-presidente regional do Sudeste Asiático da Hilton. As companhias aéreas também expandem rotas internacionais. A Vietjet, principal companhia privada, lança voos da China, Japão, Singapura e avalia novas rotas da Europa. Dados da Klook indicam que filipinos e indianos agora impulsionam a demanda regional, enquanto turistas dos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia crescem rapidamente. Ainda assim, China e Coreia do Sul seguem como as maiores fontes de visitantes, com a Rússia em terceiro lugar.

Investimentos em infraestrutura turística

Hanói investiu mais de US$ 830 milhões em um novo aeroporto na Ilha de Phu Quoc, projeto do Sun Group em parceria com o Changi Airport Group. Essas obras preparam o país para sediar a Cúpula da Apec em 2027. Empresas estrangeiras também apostam no Vietnã. O Vingroup firmou acordo com a rede hoteleira IHG para levar quatro marcas a Can Gio, distrito costeiro de Ho Chi Minh. O Sun Group ampliou parceria com a Hilton para desenvolver cinco hotéis (mais de 2 mil quartos) em Phu Quoc, Da Nang e Quang Ninh. “Muitos contratos de construção excelentes foram concedidos. É algo que nunca vi em nenhum outro país, nem no Oriente Médio. Isso consolida o Vietnã como local promissor para investimentos”, disse Alexandra Murray. Le Hong Hiep complementou: “Empresas locais constroem hotéis, mas precisam de parcerias com operadoras estrangeiras para se promoverem internacionalmente”.

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Sustentabilidade e riscos de longo prazo

O crescimento acelerado levanta questões sobre sustentabilidade. “Não se trata apenas de expandir o turismo, mas de como fazê-lo de forma sustentável. Queremos turistas que retornem, então o foco está em melhorar a qualidade dos serviços”, explicou Le Hong Hiep. O professor Vu Minh Khuong, da Escola de Políticas Públicas Lee Kuan Yew, ressaltou que o Vietnã observa os problemas de Bali com excesso de desenvolvimento. “Estamos aprendendo na prática e nos importamos com as melhores práticas internacionais”, afirmou. A Tailândia serve de alerta: a pandemia, instabilidade política e criminalidade afastaram turistas chineses, e o país reduziu seu programa de isenção de visto de 60 para 30 dias para filtrar “turistas de qualidade”. Le Hong Hiep alertou que, se o fluxo turístico diminuir, o Vietnã pode enfrentar o mesmo problema da Tailândia: infraestrutura abundante, mas dificuldade em preencher os quartos.