Grande Hotel Termas de Araxá celebra 80 anos com livro que revisita sua história
Grande Hotel Termas de Araxá 80 anos: lançamento de livro

O Grande Hotel Termas de Araxá, um dos mais emblemáticos símbolos da arquitetura e do turismo mineiro, celebrou seus 80 anos com o lançamento do livro "Sobre o tempo - Grande Hotel Termas de Araxá 80 anos", que revisita sua trajetória e sua importância cultural para o país. A obra, assinada pelos jornalistas Mariana Peixoto e Helvécio Carlos, foi lançada no dia 29 de novembro, a partir das 11h, no próprio hotel.

Evento de lançamento reúne convidados e reflexões

O Cine Teatro do Grande Hotel recebeu conversas, escuta atenta e reflexões sobre arquitetura, cultura e o papel histórico do hotel no Brasil. O evento contou com uma conversa com a professora Celina Borges, da Escola de Arquitetura da UFMG, o ceramista Máximo Soalheiro, que participou da restauração do edifício na década de 1990, e o escritor e jornalista araxaense Luiz Humberto França. O lançamento teve ainda projeção de fotografias feitas por Léo Lara, responsável pelo ensaio contemporâneo que integra a publicação, e direção de arte assinada por Gustavo Greco, da Greco Design, que desenvolveu o projeto gráfico. O livro está entre os finalistas do 15º Prêmio Brasileiro de Design.

Conteúdo do livro: imagens históricas e narrativa jornalística

Com 154 páginas, o título reúne um conjunto expressivo de imagens históricas, algumas pouco conhecidas, provenientes dos acervos da Fundação Cultural Calmon Barreto, de Araxá, e da revista O Cruzeiro, pertencente aos Diários Associados. Segundo Mariana Peixoto, a ideia surgiu em novembro de 2022, quando ela e Helvécio fizeram parte do primeiro grupo de jornalistas que visitou o Grande Hotel após o rebranding realizado durante a pandemia. "Ficamos bastante impressionados com as mudanças. No retorno a BH, Helvécio teve a ideia de escrevermos um livro para a data dos 80 anos do espaço, que completaria em 2024. Queríamos dar ao hotel uma narrativa jornalística, mostrando seus bastidores, suas fases e suas camadas políticas, sem idealização. Trata-se de um patrimônio vivo, que atravessa oito décadas de cultura, sociabilidade e poder no Brasil", diz Mariana.

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Curiosidades históricas: eclipse solar e cientistas soviéticos

Ainda na fase de pesquisa, Mariana se deparou com uma história curiosa na revista O Cruzeiro, de 1947, registrada pelo repórter David Nasser e pelo fotógrafo Jean Manzon. "Três anos após a inauguração do hotel, ocorreu um eclipse solar total. Um grupo de cientistas soviéticos foi a Araxá para observar o fenômeno. Os norte-americanos também vieram a Minas, mas se instalaram em Bocaiúva. Não podemos nos esquecer que o período do pós-guerra é do início da Guerra Fria", conta Mariana. A reportagem trazia mais fatos pitorescos, como a dificuldade da equipe chegar ao Brasil — o navio em que viajavam os cientistas ficou preso no gelo do Mar Báltico. O grupo deixou a URSS com roupas para trabalhar no meio da mata, já que não sabia que Araxá possuía um dos hotéis mais luxuosos da América Latina. "Onde havia uma boa história deveria ter outras, então me animei com a pesquisa", lembra a autora.

Patrocínio e apoio

A obra, independente, foi viabilizada com patrocínio da Cemig, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, e apoio do Estado de Minas, Gontijo, e Grande Hotel Termas de Araxá, DUO Cultural e Governo de Minas Gerais. A Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) também patrocina o lançamento do livro.

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