O empresário campo-grandense José Márcio, de 55 anos, que realiza uma viagem de volta ao mundo de motocicleta, está retido no Alasca desde o último fim de semana. Uma forte nevasca provocou o fechamento da estrada de acesso a Prudhoe Bay, no extremo norte do estado norte-americano, deixando o motociclista a cerca de 150 quilômetros do destino.
Nevasca surpreende motociclista
Segundo José Márcio, a nevasca cobriu a pista de gelo e barro, impossibilitando o tráfego. A estrada foi interditada e ninguém consegue entrar ou sair do local. "Eu tô preso aqui. A pista fechou no Alasca por causa da nevasca, então não tem como sair daqui. Segundo o pessoal, o tempo abre amanhã. Se o tempo abrir com sol, aí eu chego em Prudhoe Bay", relatou ao g1.
A situação foi agravada pela mudança brusca no tempo. "O tempo virou e deu uma nevasca. Aqui é estrada de chão e peguei essa nevasca muito forte. Fechou a pista. Eu não tinha o que fazer. Não tinha como voltar. Tava com mais de um palmo de gelo misturado com barro", descreveu.
Apoio e acomodação temporária
Apesar do contratempo, o empresário recebeu ajuda de trabalhadores responsáveis pela manutenção da rodovia. Está hospedado provisoriamente em um alojamento aquecido, um container adaptado. "Eles me colocaram num quartinho aqui, num container aquecido. Tem comida boa, café da manhã, chuveiro quente. Então estou super tranquilo. Meu psicológico está muito bem, eu estou muito bem fisicamente e a moto também está boa", afirmou.
Rota alterada por burocracia russa
Após chegar a Prudhoe Bay, José Márcio pretende retornar a Fairbanks e seguir até Vancouver, no Canadá. De lá, a motocicleta será enviada para a Europa, onde a viagem continuará. Inicialmente, a rota previa entrada pela Rússia, mas o plano foi alterado devido à fila de espera de 90 dias para autorização de entrada no país. Agora, a moto deve ser embarcada para Dublin (Irlanda), Londres (Inglaterra) ou Holanda.
"Daqui do Alasca eu volto para Vancouver e mando a moto para a Europa. A princípio era para a Rússia, mas a Rússia está com lista de espera de entrada de 90 dias. Então ela deve ir para Dublin, Londres ou Holanda. E aí eu começo a voltar ao mundo na Europa", explicou.
Trajeto e desafios
O empresário saiu de Campo Grande em 18 de julho para dar a volta ao mundo de moto, percorrendo mais de 120 mil km no total. Esta é a terceira vez que ele percorre o Alasca sobre duas rodas: antes, esteve na região em 2016, ao lado do irmão, e novamente em 2024.
A viagem começou pela América do Sul, passando por Ushuaia, na Argentina. Depois, cruzou países da América Central e seguiu rumo à América do Norte até chegar ao Alasca. Embora não tenha enfrentado problemas com documentação ou imigração — "Não tive problema de fronteira fechada com imigração, não. Tem tudo certinho. Visto americano, visto canadense eu fiz. Eu fui ao Canadá fazer biometria porque, para entrar com veículo, tem que ter biometria. Eu sou muito organizado, pesquiso tudo antes e faço toda a documentação. Tive problema nenhum" —, alguns contratempos ocorreram devido a condições das estradas e bloqueios temporários em postos de fronteira. "E aí você tem problemas com estradas, desmoronamento, ou estrada não passa e você tem que dar volta", contou.
José Márcio mantém o otimismo e aguarda a melhora do tempo para concluir essa etapa desafiadora de sua expedição.



