O Tesouro Nacional ampliou a emissão de títulos atrelados à taxa Selic, consolidando um processo de piora na qualidade da dívida pública brasileira. De acordo com informações da coluna de Fabio Graner, o plano de financiamento do governo deve prever que esses papéis ultrapassem 50% do total da dívida, tornando o país mais vulnerável a choques de juros.
Aumento da exposição à taxa básica
A decisão de ampliar os títulos indexados à Selic representa uma mudança na composição da dívida pública. Historicamente, o Brasil buscava alongar o perfil da dívida e reduzir a exposição a flutuações de curto prazo, mas a recente estratégia indica um movimento contrário.
Com mais títulos atrelados à Selic, o custo da dívida fica mais sensível às decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). Em um cenário de juros elevados, como o atual, isso pode pressionar ainda mais as contas públicas.
Impacto na vulnerabilidade fiscal
A piora na qualidade da dívida pública aumenta a vulnerabilidade fiscal do país. Segundo analistas, quando a Selic sobe, os juros pagos pelo Tesouro crescem rapidamente, elevando o déficit nominal e a relação dívida/PIB. Isso pode reduzir a confiança dos investidores e encarecer o financiamento soberano.
O percentual de títulos atrelados à Selic já vinha crescendo nos últimos meses, e a projeção de ultrapassar a marca de 50% acende um alerta. Especialistas apontam que isso compromete a eficácia da política fiscal e pode levar a um ciclo vicioso de aumento da dívida e dos juros.
Comparação com períodos anteriores
Durante o governo anterior, houve esforços para reduzir a participação desses títulos, priorizando papéis pré-fixados ou indexados à inflação. A reversão dessa tendência indica um recuo na qualidade da gestão da dívida.
O prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília, é o centro das decisões que impactam a trajetória fiscal. A ampliação dos títulos atrelados à Selic foi confirmada por fontes da pasta, que não comentaram oficialmente o assunto.
Próximos passos
O plano de financiamento para o próximo ano deverá detalhar a nova composição. A expectativa é que a participação dos títulos pós-fixados supere 50% já em 2025, caso a Selic se mantenha em patamares elevados.
Para o mercado, a sinalização é negativa. A piora na qualidade da dívida pode elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores, pressionando o câmbio e a inflação. O governo, por sua vez, aposta que a maior exposição à Selic será compensada por uma queda futura dos juros.



