O impulso fiscal brasileiro atingiu 4,52% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre). Esse indicador mede o efeito líquido das políticas de gastos e tributação do governo sobre a demanda agregada. O resultado é o maior desde 2020, quando a pandemia elevou os estímulos econômicos.
O que é impulso fiscal?
O impulso fiscal é calculado pela variação do resultado primário estrutural ajustado pelo ciclo econômico. Em termos práticos, representa o quanto a política fiscal está expandindo ou contraindo a atividade econômica. Um valor positivo indica estímulo; negativo, contenção. O estudo aponta que, no ano passado, o impulso foi fortemente expansionista, impulsionado por aumento de despesas obrigatórias e redução de tributos.
Segundo o economista-chefe do FGV Ibre, João Pedro de Almeida, “o impulso fiscal de 4,52% do PIB reflete uma combinação de maior gasto com programas sociais e desonerações tributárias, mas também traz riscos para a inflação e para a sustentabilidade da dívida pública”. Ele destacou que o efeito sobre o crescimento econômico deve ser positivo no curto prazo, mas pode pressionar o índice de preços.
Comparação histórica e impactos
Em 2024, o impulso fiscal havia sido de 3,31% do PIB. O aumento de 1,21 ponto percentual mostra uma aceleração do estímulo. O estudo ressalta que, desde a pandemia, o Brasil mantém uma postura fiscal expansionista, com exceção de 2022 quando houve ligeiro aperto.
O levantamento também aponta que o impulso é mais intenso no consumo do governo e nas transferências de renda, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada. As desonerações tributárias, especialmente sobre combustíveis e energia elétrica, também contribuíram.
A economista Marina Silva, do mesmo instituto, afirmou que “o impulso fiscal elevado pode dificultar a convergência da inflação para a meta e exigir uma resposta mais firme do Banco Central na política monetária”. Ela alertou que o estímulo excessivo pode levar a um aperto monetário mais forte no futuro.
Perspectivas para 2026
Para este ano, o estudo projeta uma redução do impulso fiscal para cerca de 3,8% do PIB, ainda expansionista, mas em ritmo menor. Isso depende da aprovação do novo marco fiscal e da contenção de despesas. O governo tem sinalizado compromisso com a meta de resultado primário, mas a pressão por gastos sociais e investimentos continua.
O documento conclui que o impulso fiscal deve continuar sendo um dos principais motores da atividade econômica em 2026, mas com riscos crescentes de desequilíbrio macroeconômico. A política fiscal expansionista, combinada com juros elevados, gera um cenário complexo para a gestão econômica.



