Petróleo sobe, mas recuo de Trump afasta cotações das máximas
Petróleo sobe com recuo de Trump afastando máximas

Os preços do petróleo subiam nesta terça-feira (14), impulsionados por tensões geopolíticas no Oriente Médio, mas perderam fôlego após o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizar uma postura mais moderada em relação a tarifas e à produção da Opep+. O Brent, referência global, chegou a ultrapassar US$ 85 o barril, mas recuou para perto de US$ 83,70 no final da manhã.

Recuo de Trump alivia temores de escalada

Em entrevista à rede Fox News, Trump afirmou que “não há necessidade de novas tarifas agressivas agora” e que espera que a Opep+ aumente a produção para conter os preços. “Eles vão fazer o que é certo. Se não fizerem, temos ferramentas”, disse, sem detalhar quais medidas poderia adotar. As declarações acalmaram os mercados, que temiam uma guerra comercial ampliada e cortes mais profundos na oferta.

Analistas apontam que a fala de Trump reduziu o prêmio de risco embutido nas cotações. “O mercado estava precificando uma escalada retórica que não se concretizou. O recuo tira pressão das altas”, explicou Ricardo Sales, analista da XP Investimentos. O West Texas Intermediate (WTI) subia 0,8%, a US$ 81,20, bem abaixo da máxima do dia de US$ 82,50.

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Opep+ mantém cortes, mas há pressão por aumento

A Opep+ continua com sua política de cortes voluntários de 2,2 milhões de barris por dia até setembro. No entanto, fontes do cartel indicam que Arábia Saudita e Rússia estudam uma flexibilização a partir de outubro, caso os preços se mantenham elevados. A produção atual do grupo está cerca de 3 milhões de barris abaixo da demanda global, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

“A pressão de Trump pode acelerar a decisão da Opep+ de aumentar a oferta, mas eles aguardam sinais concretos de desaceleração econômica”, disse Heloisa Campos, economista-chefe da Terra Investimentos. O Brent acumula alta de 12% no ano, impulsionado por cortes da Opep+ e sanções ocidentais ao Irã.

Geopolítica ainda sustenta prêmio de risco

Apesar do recuo de Trump, tensões no Oriente Médio continuam a dar suporte aos preços. Ataques a navios no Mar Vermelho por grupos houthis, apoiados pelo Irã, interrompem rotas de navegação e elevam custos logísticos. Além disso, a guerra na Ucrânia mantém sanções sobre o petróleo russo, limitando a oferta global.

O mercado monitora ainda os estoques nos EUA. A previsão é de queda de 2,5 milhões de barris nos estoques semanais, segundo pesquisa da Reuters. Dados oficiais do governo americano saem nesta quarta-feira (15).

Impacto nos preços dos combustíveis no Brasil

A alta do petróleo pressiona a política de preços da Petrobras. A estatal adota a paridade internacional, mas com intervalos maiores entre reajustes. Desde janeiro, a gasolina acumula alta de 8% nas refinarias, enquanto o diesel subiu 6%. O presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira, afirmou que “a empresa acompanha o mercado e reajusta quando necessário, sem repasses automáticos”.

Economistas estimam que, se o Brent se mantiver acima de US$ 85, a Petrobras terá que reajustar os combustíveis em até 5% nas próximas semanas. Para o consumidor, isso pode significar aumento de R$ 0,15 a R$ 0,20 por litro na bomba. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) calcula que a defasagem atual da gasolina é de 4% em relação ao mercado internacional.

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