Após assumir completamente suas operações no Brasil, a Hyundai Motor Company repete a estratégia global e negocia o controle direto das operações da Kia no país. A informação foi revelada pelo jornalista João Anacleto. O acordo envolve o perdão de uma dívida histórica de R$ 6 bilhões da Asia Motors, antiga subsidiária da Kia, em troca da construção de uma fábrica em Piracicaba, interior de São Paulo.
Negociação e dívida histórica
O passivo tributário remonta aos anos 1990, quando a Asia Motors do Brasil obteve incentivos fiscais para construir uma fábrica no Nordeste, mas o projeto foi abandonado após a crise asiática de 1997. O Grupo Gandini, representante da Kia no Brasil há 34 anos, herdou a dívida. A solução em discussão prevê o perdão do débito em troca de um investimento industrial massivo.
José Luis Gandini, presidente da Kia Motors Brasil, nega que o acordo esteja fechado. "Essa negociação sobre a dívida da Asia Motors ocorre há 20 anos. O que muda agora é o surgimento da nova legislação que eles poderiam aproveitar", disse ao Jornal do Carro. Ele reforçou que nenhum martelo foi batido e não há prazo específico.
Fábrica em Piracicaba e impactos
A nova unidade fabril seria instalada ao lado da fábrica da Hyundai em Piracicaba, onde já são produzidos HB20 e Creta. A proximidade permitiria sinergia logística e de fornecedores. Estima-se a criação de 5 mil empregos diretos e 15 mil indiretos. Gandini, no entanto, pondera: "Eles precisam avaliar se faz sentido" diante da concorrência chinesa.
Se concretizada, a fábrica poderia abrir caminho para modelos híbridos e elétricos, além de reduzir custos com importação. Atualmente, a Kia tem 68 concessionárias no Brasil e vende veículos com preços elevados devido ao imposto de importação.
Reação de Gandini e futuro
Gandini convocou reunião com concessionários em 16 de janeiro para informar as negociações. "Fui transparente, expliquei o que está acontecendo e reforcei que, por enquanto, não há qualquer mudança", afirmou. Ele admite que não gostaria de perder a representação, mas se orgulha da trajetória: "Nós construímos desde o começo. Ninguém conhecia a montadora coreana".
O Grupo Hyundai assumiria as operações comerciais até o fim de 2026. A reestruturação pode incluir concessionárias compartilhadas com a Hyundai, seguindo modelo da Stellantis, para competir com montadoras chinesas. A Hyundai do Brasil não se pronunciou oficialmente.



