O ex-diretor do Federal Reserve (Fed) Kevin Warsh afirmou que, caso a inflação continue elevada, as taxas de juros certamente poderão fazer parte da solução. A declaração foi dada durante evento do Instituto de Finanças Internacionais, em Washington, contrariando as expectativas do mercado de que o banco central americano iniciaria um ciclo de cortes ainda este ano.
Contexto econômico e alerta de Warsh
Warsh, que serviu no Fed entre 2006 e 2011, destacou que a luta contra a inflação ainda não terminou. "Se a inflação permanecer elevada, as taxas de juros certamente poderão fazer parte da solução", disse ele. A declaração ocorre em meio a dados que mostram uma inflação ao consumidor nos EUA ainda acima da meta de 2% do Fed, com o núcleo do PCE em 2,8% em maio.
Reação do mercado e perspectivas
As falas de Warsh tiveram impacto imediato nos mercados futuros de juros, com a probabilidade de um corte em setembro caindo de 70% para 55%. Ele criticou a narrativa de que o Fed precisa agir rapidamente para evitar uma recessão. "A história mostra que interromper prematuramente o aperto monetário pode levar a uma inflação mais persistente", alertou.
O ex-diretor também comentou sobre a situação fiscal dos EUA, que considera insustentável. "A dívida pública de US$ 35 trilhões é uma âncora que limita a capacidade de resposta do Fed em crises futuras", afirmou. Para Warsh, a combinação de inflação alta e dívida crescente torna o cenário econômico especialmente desafiador.
Comparação com outros bancos centrais
Warsh observou que outros bancos centrais, como o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra, também enfrentam dilemas semelhantes. No entanto, destacou que a economia americana está em posição relativamente melhor. "Os EUA têm um mercado de trabalho robusto e consumo forte, o que dá margem para manter juros elevados por mais tempo", disse.
Ele concluiu que o Fed deve agir com base em dados, e não em calendário. "O erro mais grave seria relaxar a política antes de a inflação estar claramente controlada", afirmou. A expectativa é que o próximo discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, em Jackson Hole, traga mais clareza sobre os rumos da política monetária.



