Tesouro IPCA+ abre janela rara, mas 'nunca foi tão fácil tomar susto'
Tesouro IPCA+ abre janela rara, mas 'nunca foi tão fácil tomar susto'

O Tesouro IPCA+ atingiu pela primeira vez a marca de 8% ao ano, impulsionado por pesquisas eleitorais que aumentaram a percepção de risco fiscal. A taxa, considerada rara por analistas, abre uma janela de oportunidade para investidores que buscam proteção contra a inflação. No entanto, o movimento também acende um alerta: 'nunca foi tão fácil tomar susto', afirma especialista.

Contexto do mercado

O rendimento real dos títulos públicos indexados à inflação subiu para 8% ao ano, um nível não visto desde o início do ciclo de aperto monetário. A alta ocorre em meio a incertezas políticas, com pesquisas eleitorais mostrando cenário competitivo para a sucessão presidencial. O mercado teme que o aumento dos gastos públicos pressione a dívida e a inflação futura.

Segundo dados da Anbima, a taxa do Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045 saltou de 7,5% para 8% em apenas duas semanas. O movimento reflete a fuga de investidores estrangeiros e a demanda por prêmios de risco mais altos.

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Impacto para investidores

Para quem busca renda fixa de longo prazo, a taxa de 8% ao ano acima da inflação é considerada atrativa. 'É uma janela rara, pois o IPCA+ raramente supera os 7%', diz José Carlos, analista da XP. No entanto, ele ressalta que a volatilidade pode gerar perdas no curto prazo. 'Com a alta dos juros futuros, o valor de mercado dos títulos cai. Quem vender antes do vencimento pode amargar prejuízo.'

Riscos e recomendações

Especialistas recomendam cautela. 'Nunca foi tão fácil tomar susto com a oscilação diária', alerta Maria Silva, da Rico. Ela sugere que investidores com perfil conservador optem por títulos com vencimentos mais curtos. 'O IPCA+ 2045 pode ter queda de 10% em um mês se os juros subirem.'

O Tesouro Nacional informou que a demanda pelos títulos IPCA+ cresceu 20% no último mês, mas a maioria dos compradores são institucionais. Para o pequeno investidor, a recomendação é diversificar e não concentrar todo o patrimônio em um único título.

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