O anúncio de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos ainda não foi totalmente precificado pelo mercado, segundo analistas. A medida, que entra em vigor nas próximas semanas, gerou apreensão entre investidores, que temem uma escalada retaliatória e impactos sobre o comércio bilateral.
Impacto imediato e reações do mercado
Na abertura dos negócios, o Ibovespa operou sem direção única, refletindo a cautela. O índice recuou 0,3% nas primeiras horas, enquanto o dólar subiu 0,5%, cotado a R$ 5,12. Ações de empresas exportadoras, como as do setor de carnes e mineração, sofreram as maiores perdas. JBS e Vale caíram 1,8% e 0,9%, respectivamente.
“O mercado ainda está avaliando as consequências. A reciprocidade é um risco real, mas não sabemos até onde pode ir”, afirmou Carlos Alberto, economista-chefe da XP Investimentos. “O tarifaço de 12,5% é um choque, mas pode ser apenas o começo.”
Setores mais afetados
Os setores mais expostos são o agropecuário, siderúrgico e de calçados. A soja brasileira, que responde por 30% das exportações para os EUA, pode perder competitividade. A Associação Brasileira de Exportadores de Soja (AESO) estima que as vendas possam cair até 15% no curto prazo.
“A tarifa de 12,5% inviabiliza margens já apertadas. Se não houver negociação, teremos que redirecionar embarques para China e Europa”, disse Marcos Faria, presidente da AESO.
Reação do governo brasileiro
O ministro da Economia, Paulo Guedes, classificou a medida como “protecionista e injusta”. Em nota, afirmou que o Brasil buscará a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a tarifa. “Não vamos aceitar sanções unilaterais. Nosso comércio é baseado em regras multilaterais.”
Por outro lado, o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, sinalizou abertura para negociação. “Estamos dispostos a reduzir barreiras não-tarifárias para evitar uma guerra comercial.”
Perspectivas para investidores
Analistas recomendam cautela. O Bank of America reduziu a exposição a ativos brasileiros, citando riscos de curto prazo. Já a gestora Adam Asset Management vê oportunidades. “Empresas com receita doméstica forte, como bancos e varejo, podem se beneficiar da desvalorização cambial”, disse Ricardo Appel, sócio da Adam.
O mercado monitora os próximos passos dos EUA e do Brasil. Enquanto isso, a volatilidade deve persistir, com o Ibovespa oscilando entre 105 mil e 110 mil pontos.



