A Defensoria Pública de São Paulo entrou com uma ação de indenização por danos morais no valor de R$ 759 mil em favor de um adolescente negro vítima de racismo no Shopping Pátio Higienópolis, na capital paulista. O caso ocorreu em abril de 2025, quando dois estudantes negros de uma escola particular foram abordados por uma funcionária terceirizada que questionou se eles estavam incomodando ou pedindo dinheiro à amiga branca que os acompanhava.
Além da indenização, a ação pede que o shopping e a empresa terceirizada ofereçam ao adolescente acompanhamento médico e psicológico gratuito com profissional de formação antirracista, pelo tempo necessário para sua recuperação. Também solicita bolsa permanente para garantir a continuidade dos estudos, incluindo alimentação, transporte, reforço escolar e apoio para atividades esportivas, além de desculpas formais publicadas no Diário Oficial do Estado e em jornal de grande circulação.
O Shopping Pátio Higienópolis afirmou que desconhece a ação e se manifestará nos autos assim que notificado. Em nota anterior, a administração do estabelecimento lamentou o ocorrido e pediu desculpas. A defesa do shopping informou que oferece treinamento para os funcionários.
O professor Diego Penã Castellon, presente no momento, relatou ter ouvido a segurança falando que não se pode pedir dinheiro no shopping, enquanto as alunas argumentavam que ninguém estava pedindo dinheiro. O irmão mais velho de uma das vítimas disse que os adolescentes estão abalados e que a família tomou medidas legais.
Esta não é a primeira ocorrência de racismo no shopping. Em 2022, adolescentes denunciaram um episódio em que foram seguidos por um segurança em uma loja do estabelecimento. A orientadora educacional Iza Cortada afirmou que os alunos precisam de reparação e que atos como esse precisam parar.



