O mercado financeiro começou a semana com um tom misto, após um sell-off em ações de tecnologia na Coreia do Sul limitar o bom humor observado em outros ativos de risco. O índice Kospi, principal da Bolsa de Seul, fechou em queda de 2,3%, pressionado por perdas expressivas de gigantes como Samsung Electronics e SK Hynix, que recuaram 3,1% e 4,2%, respectivamente.
Pressão sobre o setor de tecnologia
O movimento negativo em Seul foi atribuído a preocupações com a demanda global por semicondutores, especialmente após relatos de que a Apple pode reduzir pedidos de chips para o iPhone 16. Segundo analistas do Goldman Sachs, “a correção nos papéis de tecnologia sul-coreanos reflete um ajuste de expectativas, mas não sinaliza uma crise sistêmica”. Apesar disso, o índice de tecnologia da Bolsa de Seul, o Kosdaq, caiu 3,8%, ampliando as perdas do setor no ano.
Impacto nos mercados globais
Fora da Ásia, os índices futuros de Wall Street operavam estáveis, com o S&P 500 subindo 0,1% e o Nasdaq 100 recuando 0,2%. Na Europa, o Stoxx 600 avançava 0,3%, impulsionado por setores defensivos. O petróleo Brent tinha alta de 0,5%, cotado a US$ 82,30, enquanto o ouro subia 0,2%, a US$ 2.380 a onça. O dólar recuava ante a maioria das moedas, com o índice DXY caindo 0,1%.
Resiliência dos ativos de risco
“O sell-off em Seul é um lembrete de que o setor de tecnologia continua volátil, mas a diversificação dos mercados globais está ajudando a conter o contágio”, afirmou Maria Silva, estrategista do Credit Suisse. Ela destacou que os dados econômicos fortes nos EUA e a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve sustentam o apetite por risco. “A bolsa brasileira, por exemplo, pode se beneficiar desse fluxo, com o Ibovespa operando estável nos primeiros negócios”, completou.
Números e perspectivas
Na Ásia, o índice Nikkei, do Japão, caiu 0,5%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,8%. O índice MSCI de ações da Ásia-Pacífico (ex-Japão) recuou 0,2%. O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos subia para 4,25%, refletindo a cautela. Analistas do JPMorgan recomendam cautela com techs, mas veem oportunidades em setores cíclicos. “A correção pode ser saudável, mas é cedo para chamar de compra”, disseram em nota.
Cenário para os próximos dias
O calendário econômico da semana inclui dados de emprego nos EUA e decisão de política monetária do Banco do Japão. “Se o payroll vier forte, o mercado pode respaldar a tese de pouso suave”, avalia Pedro Costa, da XP Investimentos. Por enquanto, o sell-off em Seul serve como um alerta sobre a fragilidade do setor de tecnologia, mas não interrompe a tendência de alta nos ativos de risco.



