O Ibovespa fechou em queda de 2,5% nesta quarta-feira, aos 118.000 pontos, enquanto o dólar comercial subiu 1,8%, cotado a R$ 5,80. O movimento foi impulsionado pela piora na percepção de risco global e pela alta do petróleo, que atingiu US$ 85 o barril do tipo Brent.
Fatores externos pesam
O mercado reagiu negativamente à divulgação de dados fracos da economia chinesa e à sinalização do Federal Reserve de que os juros americanos podem permanecer elevados por mais tempo. "O cenário externo se deteriorou rapidamente, com investidores migrando para ativos seguros", afirmou Rafaela Vitoria, economista-chefe da Órama Investimentos.
Além disso, a decisão da Opep+ de estender os cortes na produção de petróleo elevou os preços da commodity, aumentando as preocupações com a inflação global.
Impacto local
No Brasil, a alta do petróleo pressiona os custos de combustíveis, o que deve impactar a inflação medida pelo IPCA. "Cada alta de US$ 10 no barril do petróleo adiciona cerca de 0,3 ponto percentual à inflação brasileira", calcula a consultoria Tendências.
O mercado também ajusta as expectativas para a taxa Selic. A mediana do Boletim Focus subiu para 11,25% ao final de 2026, ante 11,00% na semana anterior.
Setores mais afetados
As ações de empresas ligadas ao consumo e ao varejo foram as mais penalizadas, com destaque para as lojas Americanas, que caíram 5,2%. Já as ações da Petrobras subiram 1,5%, acompanhando a alta do petróleo.
Para os analistas do BTG Pactual, o cenário segue desafiador. "A combinação de juros altos externos e petróleo caro reduz o espaço para cortes na Selic e pressiona o câmbio", afirmam em relatório.



