A Polícia Civil e a Marinha do Brasil investigam as circunstâncias do acidente com um barco do passeio Macuco Safari, no Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), que resultou na morte do turista holandês Mark Lensink, de 25 anos. O acidente ocorreu na terça-feira (28) por volta das 12h, quando o barco virou após ser atingido por um vento forte na lateral, segundo testemunhas. Oito pessoas estavam na embarcação e caíram na água; todas foram resgatadas, mas Lensink teve uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
Suspensão das atividades e investigação
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), fiscal do contrato, determinou a suspensão das atividades do Passeio do Macuco por três dias a partir de quarta-feira (29). A Macuco Safari, concessionária responsável, também suspendeu voluntariamente as operações. A previsão de retomada é para sábado (1º), condicionada à conclusão de uma revisão técnica minuciosa dos processos operacionais e de navegação.
O ICMBio informou que verificou a documentação da concessionária Ilha do Sol, responsável pelo passeio, e considerou tudo regular. "As circunstâncias do acidente estão sendo apuradas pelos órgãos competentes e o ICMBio colabora com as autoridades para a elucidação do fato", diz o comunicado do instituto.
Detalhes do acidente e vítima
Mark Lensink, de 25 anos, estava acompanhado da noiva, dos sogros, da cunhada, do namorado da cunhada e de dois tripulantes (piloto e copiloto). Segundo o Corpo de Bombeiros, todos caíram na água após o barco virar. A Marinha do Brasil realizou levantamentos iniciais e a Capitania Fluvial do Rio Paraná investigará "as circunstâncias, causas e eventuais responsabilidades". A Polícia Civil também coletou depoimentos de testemunhas.
Uma moradora de Curitiba que estava no local gravou um vídeo que mostra a embarcação com o casco para cima. Nas imagens, é possível ver uma pessoa nas pedras usando colete salva-vidas.
Histórico e segurança da Macuco Safari
A Macuco Safari, que opera há mais de 40 anos, afirma ter proporcionado a experiência a mais de 15 milhões de visitantes, com fluxo anual médio de 350 mil passageiros e cerca de 350 colaboradores diretos. A empresa possui certificação ISO 21101, que estabelece requisitos de segurança para turismo de aventura. Em nota, a Macuco Safari lamentou a morte do turista e prestou solidariedade aos familiares e sobreviventes.
A concessionária informou que, em quatro décadas de operação, registra apenas duas fatalidades (1999 e 2026). A empresa destacou o cumprimento das normas da Marinha do Brasil (NORMAM-202/DPC), do ICMBio e das normas ISO 9001, 14001 e 21101. Além disso, possui frota maior que a necessária para permitir rodízio de manutenção preventiva e conta com embarcações bimotoras semi-rígidas de fibra de vidro, com câmaras de flutuabilidade independentes.
Nota oficial da Macuco Safari
Em nota oficial, a Macuco Safari manifestou profundo pesar e informou que está prestando "acolhimento, assistência logística, médica e psicológica integral à acompanhante da vítima, bem como suporte irrestrito aos seus familiares e amigos". A empresa reiterou que colabora com as autoridades e que a retomada das atividades dependerá da conclusão da revisão técnica.
A concessionária Ilha do Sol, que administra o passeio, afirmou que sua frota é dimensionada para operar com segurança e que a maior parte das embarcações tem capacidade para 31 lugares, além da tripulação. A empresa realiza até 35 incursões diárias ao cânion do Rio Iguaçu, ajustando a frequência conforme a sazonalidade e as condições climáticas.



