As recompras de ações na Bolsa brasileira aceleraram e atingiram R$ 11 bilhões nos primeiros meses de 2025, segundo levantamento de mercado. O volume representa um aumento significativo em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado por empresas que buscam valorizar seus papéis e sinalizar confiança aos investidores.
Por que as recompras estão crescendo?
Os programas de recompra têm sido adotados por companhias com caixa robusto e ações consideradas subvalorizadas. Entre os setores que mais se destacam estão bancos, commodities e tecnologia. Especialistas apontam que a tendência deve continuar enquanto a Selic permanecer em patamares elevados, tornando a renda fixa atrativa e pressionando as ações.
5 ações para ficar de olho
Levantamento do Safra aponta cinco papéis com forte potencial de recompra: Banco do Brasil (BBAS3), Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4). Essas empresas já anunciaram programas bilionários e podem continuar recomprando ações nos próximos meses.
Segundo o economista do Safra, "há algo errado na política econômica" que justifica a busca por recompras como forma de proteger o valor das ações. Ele critica a manutenção da Selic em 13,75% ao ano, que encarece o crédito e reduz o apetite por risco.
Impacto no mercado
As recompras têm efeito direto sobre a liquidez e a cotação das ações. Ao reduzir a oferta de papéis no mercado, as empresas tendem a sustentar ou elevar os preços. No entanto, o movimento também levanta preocupações sobre a falta de investimentos produtivos.
O IBC-Br de maio, considerado a prévia do PIB, comprovou a perda de potência da economia brasileira. Com a atividade desacelerando, as recompras podem ser uma estratégia de curto prazo para sustentar os valuations.
O que esperar para o segundo semestre
Analistas projetam que as recompras devem continuar, especialmente se a Selic não cair tão cedo. A volatilidade dos mercados globais, com tarifaço americano e tensões geopolíticas, também pode incentivar mais empresas a recomprar ações como forma de blindagem.
Para o investidor, a dica é ficar atento aos anúncios de recompra e às condições de cada papel. Empresas com fundamentos sólidos e programas consistentes tendem a oferecer melhor retorno no longo prazo.



