Recompras na Bolsa atingem R$ 11 bi; 5 ações para ficar de olho
Recompras na Bolsa atingem R$ 11 bi; 5 ações para ficar de olho

As recompras de ações na Bolsa brasileira aceleraram e já somam R$ 11 bilhões no ano, impulsionadas por empresas que buscam valorizar seus papéis. O movimento ganha força em meio a um cenário de incertezas econômicas, com críticas do economista-chefe do Safra, que vê 'algo errado' na política econômica e questiona a manutenção da Selic em patamares elevados.

Recompras em alta: o que está por trás dos R$ 11 bilhões?

As recompras de ações, também conhecidas como buybacks, são operações em que as empresas recompram seus próprios títulos no mercado. Isso reduz a quantidade de papéis em circulação, o que pode aumentar o lucro por ação e, consequentemente, o valor do ativo. No Brasil, o volume de recompras já atingiu R$ 11 bilhões em 2025, segundo dados levantados pelo InfoMoney. Entre as empresas que mais recompram estão bancos, petroleiras e companhias de energia.

O economista-chefe do Safra, em entrevista ao jornal, afirmou que 'há algo errado' na condução da política econômica brasileira, especialmente no que diz respeito à taxa básica de juros. 'A Selic está em um nível que desestimula o investimento produtivo e favorece a especulação financeira', disse. Para ele, as recompras são um reflexo desse desequilíbrio: as empresas preferem recomprar ações a investir em expansão.

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5 ações para ficar de olho no mercado de recompras

Com o aumento das recompras, algumas ações se destacam como potenciais oportunidades. Especialistas apontam cinco papéis que podem se beneficiar do movimento:

  • Petrobras (PETR4): a estatal anunciou um programa de recompra de até R$ 2 bilhões, o que pode sustentar o preço dos papéis.
  • Itaú Unibanco (ITUB4): o banco tem um histórico de recompras e pode ampliar o programa no segundo semestre.
  • Vale (VALE3): a mineradora recomprou cerca de R$ 1,5 bilhão em ações este ano, com foco em redução de capital.
  • Ambev (ABEV3): a companhia de bebidas mantém um programa contínuo de recompra, com impacto positivo nos dividendos.
  • Banco do Brasil (BBAS3): o banco estatal ensaia recuperação e pode anunciar novas recompras para impulsionar o valor da ação.

Essas empresas têm em comum a geração robusta de caixa e a baixa alavancagem, o que permite destinar recursos para recompras sem comprometer o investimento.

Críticas à política econômica e o impacto na Bolsa

O economista do Safra também criticou a política fiscal do governo, que, segundo ele, 'não dá sinais de sustentabilidade'. 'A dívida pública continua subindo, e a Selic alta é uma tentativa de conter a inflação, mas isso acaba travando a economia', afirmou. A 'prévia do PIB' de maio, divulgada pelo Banco Central, comprovou a perda de potência da atividade econômica, com crescimento de apenas 0,2% no mês, abaixo das expectativas.

Esse cenário de juros altos e crescimento fraco tem levado investidores a buscar alternativas na renda fixa, mas as recompras podem ser um sinal de que algumas ações estão subvalorizadas. 'Quando uma empresa recompra ações, ela está apostando que o preço atual está baixo demais', explica um analista de mercado.

Recompras globais e o caso da Apple

No cenário internacional, a Apple retomou o posto de empresa mais valiosa do mundo, superando a Nvidia. A gigante de tecnologia também é conhecida por seus enormes programas de recompra, que somaram US$ 110 bilhões no último ano fiscal. Já a SpaceX, de Elon Musk, caminha para perder US$ 1 trilhão em valor de mercado, com recompras em baixa.

No Brasil, o movimento de recompras deve continuar acelerado, especialmente se a Selic permanecer acima de 10% ao ano. Para o investidor, é importante acompanhar os anúncios das empresas e avaliar se as recompras são sustentáveis a longo prazo.

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