ICE mantém prisões durante Copa do Mundo apesar de promessa de trégua
ICE mantém prisões durante Copa do Mundo apesar de promessa

O Immigration and Customs Enforcement (ICE) manteve operações de fiscalização migratória durante a Copa do Mundo, contrariando a promessa de autoridades americanas de que não haveria ações contra torcedores. As tropas continuaram promovendo prisões e estiveram envolvidas em ocorrências violentas em diferentes regiões dos Estados Unidos, com ou sem jogos sendo disputados.

Prisão perto do estádio da final

Às vésperas da final, um imigrante foi preso em Newark, a poucos quilômetros do MetLife Stadium, em Nova Jersey, palco da decisão. A abordagem foi registrada por um cidadão americano, casado com brasileira, que passava de carro pelo local e mostra agentes detendo o homem em plena via pública.

O episódio contrasta com o discurso adotado pelo governo americano antes do torneio. A possibilidade de operações migratórias durante a Copa gerou preocupação entre organizações de direitos humanos, autoridades locais e até integrantes da própria Fifa. Segundo o jornal The New York Times, dirigentes da entidade chegaram a discutir a possibilidade de solicitar diretamente a Donald Trump uma suspensão temporária das ações do ICE durante a competição.

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Sinais contraditórios do governo

As preocupações aumentaram depois que integrantes da administração Trump deram sinais contraditórios sobre a atuação da agência. Ainda antes da Copa, o vice-presidente JD Vance afirmou que os visitantes seriam bem-vindos aos Estados Unidos, mas advertiu que todos deveriam deixar o país ao término da validade de seus vistos. Com a proximidade do Mundial e diante da repercussão negativa, o governo passou a garantir que agentes do ICE presentes nos eventos atuariam apenas em funções de segurança, como combate ao tráfico de pessoas e à falsificação de produtos, sem realizar operações de fiscalização migratória contra torcedores.

Ações em cidades-sede

Na prática, porém, as ações da agência continuaram acontecendo em diversas partes do país, inclusive em cidades que receberam partidas da Copa do Mundo. O caso de maior repercussão ocorreu em Houston, no Texas, uma das sedes do torneio. Na última semana, Lorenzo Salgado Araujo, de 52 anos, morreu após ser baleado por um agente do ICE durante uma operação. A versão inicial indicava que o motorista havia tentado atropelar agentes com a própria van, obrigando um policial a disparar em legítima defesa. Entretanto, imagens divulgadas posteriormente mostram apenas a perseguição realizada por veículos descaracterizados e, depois, a abordagem violenta. A investigação segue sob responsabilidade do FBI e do Escritório do Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna.

Outro episódio ocorreu em Aurora, no Colorado, onde um protesto em frente a um centro de detenção do ICE terminou com uma pessoa baleada. Embora os disparos não tenham sido efetuados por agentes da imigração, o caso reforçou o clima de tensão em torno das operações da agência durante o Mundial.

Prisões em Kansas City

Em Kansas City, outra cidade-sede da Copa, organizações de apoio aos imigrantes contabilizaram ao menos 30 prisões realizadas pelo ICE entre 15 de junho e 3 de julho. Entre elas está a de um homem detido enquanto cortava a grama da própria casa diante dos quatro filhos pequenos. Em outro caso, agentes mascarados cercaram um veículo em plena rua para prender o motorista, imagens que também repercutiram nas redes sociais.

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