Queda do petróleo e impulso fiscal: os destaques dos mercados
Queda do petróleo e impulso fiscal: mercados em foco

A forte queda do petróleo nos mercados internacionais nesta segunda-feira (27) derrubou as ações de petroleiras brasileiras. Petrobras (PETR4), PRIO (PRIO3) e PetroRecôncavo (RECV3) foram os destaques negativos do Ibovespa, com perdas que superaram 3% em alguns momentos. O movimento ocorre em meio a temores de desaceleração da economia global e aumento da oferta da commodity.

Petróleo em baixa e impactos nas ações

O barril do Brent recuou mais de 2%, pressionado por dados fracos da indústria chinesa e pela perspectiva de que a Opep+ possa elevar a produção. Para a XP, a Petrobras ainda oferece valuation atraente, mas o cenário de curto prazo é desafiador. “A empresa segue com forte geração de caixa e dividendos, mas a volatilidade do petróleo pode limitar o desempenho das ações”, avalia a corretora em relatório.

Já a PRIO e a PetroRecôncavo, por serem empresas de menor capitalização e maior exposição à commodity, sofreram quedas ainda mais acentuadas. Em contrapartida, a Embraer (EMBR3) subiu após anunciar uma carteira de pedidos recorde de US$ 21 bilhões. A empresa vê espaço para crescimento adicional com a retomada da aviação comercial.

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Impulso fiscal mais que dobra e pressiona inflação

Enquanto o petróleo cai, o cenário fiscal brasileiro acende alertas. De acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV), o impulso fiscal – medida que indica o impacto das contas públicas na demanda agregada – mais que dobrou nos últimos três meses. O indicador passou de 0,5% do PIB para 1,2%, o que pode pressionar a inflação e a taxa Selic.

“O aumento do impulso fiscal sugere que a política fiscal está expansionista em um momento em que a política monetária precisa ser contracionista. Isso pode gerar conflito entre as duas políticas e exigir juros mais altos por mais tempo”, explica o economista da FGV. A perspectiva de Selic elevada por mais tempo já impacta os juros futuros e as bolsas.

FIDCs se aproximam de R$ 1 trilhão

No mercado de crédito, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão próximos de atingir R$ 1 trilhão em patrimônio líquido. Gestores consultados pela reportagem veem amplo espaço para crescimento, especialmente com a diversificação de ativos e a busca por maior rentabilidade em renda fixa. “O FIDC ainda é subutilizado no Brasil. Com a queda da taxa de juros no longo prazo, deverá ganhar ainda mais tração”, afirma um gestor.

Milei ataca Lula e Moraes na imprensa internacional

Na política externa, declarações do presidente argentino Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do STF Alexandre de Moraes ganharam destaque na imprensa internacional. Milei, em entrevista, chamou Lula de “comunista” e criticou Moraes por suposta perseguição a opositores. O Itamaraty ainda não se manifestou oficialmente.

Bancos brasileiros no 2T26

O setor bancário também é tema de análises. Santander, BB, Itaú e Bradesco devem apresentar resultados mistos no segundo trimestre de 2026. Enquanto o Itaú deve se beneficiar da maior exposição a linhas de crédito mais rentáveis, o Santander pode sofrer com a inadimplência. O BB, por sua vez, segue com forte desempenho no agronegócio.

Euro ganhará novas notas pela primeira vez desde 2002

No mercado internacional, o Banco Central Europeu anunciou que as notas de euro serão redesenhadas pela primeira vez desde a introdução da moeda, em 2002. As novas cédulas trazem figuras históricas da cultura europeia e recursos de segurança aprimorados. A previsão é que entrem em circulação a partir de 2026.

O mercado de ações europeu fechou em alta, com exceção de Lisboa, após uma pausa nos ataques entre EUA e Irã. O índice Stoxx 600 subiu 0,4%, impulsionado por setores defensivos.

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