Petróleo em alta reacende temor inflacionário no Brasil
A disparada do petróleo no mercado internacional reacendeu o alerta para a inflação no Brasil e pode travar o processo de queda dos juros. A commodity subiu com força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar novas medidas contra o Irã, incluindo a possibilidade de um novo ataque militar ainda nesta quarta-feira (8). A declaração elevou o barril do petróleo Brent para patamares acima dos US$ 90, impactando diretamente as projeções de inflação no Brasil.
Trump diz que petróleo pode subir “um pouquinho” com sanções ao Irã
Em entrevista coletiva, Trump afirmou que os preços do petróleo podem subir “um pouquinho” em decorrência das sanções renovadas contra o Irã. “Provavelmente voltaremos a atacar o Irã ainda hoje”, disse o presidente americano, sem dar mais detalhes. A fala foi suficiente para acelerar a alta da commodity e gerar preocupação nos mercados emergentes, especialmente no Brasil, onde a gasolina e o diesel têm forte peso no IPCA.
Petrobras acompanha alta e RECV3 lidera ganhos do Ibovespa
As ações da Petrobras (PETR4) subiram mais de 3% na sessão desta quarta-feira, acompanhando a valorização do petróleo. Já o papel da Recrusul (RECV3) registrou a maior alta do Ibovespa, com ganhos superiores a 10%, impulsionado por expectativas do setor de óleo e gás. O índice Ibovespa operava em leve alta, mas a pressão inflacionária limitava os ganhos.
Impacto na política monetária: Selic pode ter cortes interrompidos
Economistas consultados pelo mercado financeiro avaliam que a alta do petróleo pode forçar o Banco Central a interromper o ciclo de cortes da Selic, atualmente em 13,75% ao ano. A inflação medida pelo IPCA já acumula alta de 4,5% nos últimos 12 meses, e o choque do petróleo pode elevar esse número para perto de 5,5%, acima do teto da meta. “Se o petróleo se mantiver acima de US$ 90, o Copom pode ser obrigado a segurar a Selic ou até mesmo elevar os juros”, afirma o economista-chefe de uma grande corretora, que preferiu não ser identificado.
FMI eleva projeção do PIB, mas alerta para desaceleração
Em meio à turbulência, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a projeção de crescimento do PIB brasileiro para 2026 e 2027, mas manteve a previsão de desaceleração nos anos seguintes. O relatório, divulgado nesta semana, aponta que o Brasil deve crescer 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027, acima das estimativas anteriores. No entanto, o FMI alerta que a alta do petróleo e a inflação podem comprometer a recuperação econômica.
Mercados: ações mais castigadas em 2026 podem ser oportunidade?
Com a volatilidade, investidores buscam oportunidades nas ações que mais caíram em 2026. Entre os papéis mais desvalorizados estão os de varejo e construção civil, que sofreram com juros altos e inflação. Analistas recomendam cautela, mas apontam que empresas sólidas podem se recuperar assim que o cenário macroeconômico se estabilizar.
Renda fixa: taxas de CDBs, LCIs e LCAs sob tensão geopolítica
Na renda fixa, as taxas de CDBs, LCIs e LCAs oferecidas pela XP seguem elevadas, com a tensão entre EUA e Irã pressionando os prêmios de risco. O Tesouro Direto também registra taxas recordes, com o Tesouro IPCA+ pagando mais de 6% ao ano acima da inflação. Especialistas recomendam aproveitar as taxas atuais para fixar rendimentos reais elevados.



