Os contratos futuros do ouro fecharam em forte queda de 2% nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, cotados a US$ 1.780 a onça-troy, pressionados por declarações hawkish do diretor do Federal Reserve (Fed), Christopher Waller, e pela disparada nos preços do petróleo, que atingiu a maior cotação em três meses.
Falas de Waller pesam sobre o metal
Em discurso realizado durante evento do Instituto de Finanças Internacionais, Christopher Waller afirmou que o Fed precisa continuar elevando os juros para conter a inflação, que ainda se mantém acima da meta de 2%. "Ainda estamos longe de declarar vitória sobre a inflação. Precisamos ver mais evidências de que a inflação está convergindo para nossa meta antes de considerar qualquer pausa", disse Waller. A declaração reforçou a expectativa de que o Fed manterá uma postura agressiva, o que fortalece o dólar e reduz o apelo do ouro como ativo de proteção.
Petróleo dispara e impacta ouro
Paralelamente, os preços do petróleo Brent dispararam mais de 4%, atingindo US$ 86,50 o barril, maior nível desde abril de 2026. A alta foi impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio e por cortes de produção anunciados pela Opep+. O encarecimento do petróleo aumenta as expectativas de inflação, o que, em teoria, poderia beneficiar o ouro como hedge, mas o movimento de aversão ao risco e a perspectiva de juros mais altos prevaleceram, levando investidores a buscar ativos de menor risco, como o dólar.
Impacto nos mercados
A queda do ouro reflete um movimento mais amplo nos mercados de commodities, que também registraram perdas. O índice CRB, que acompanha uma cesta de commodities, caiu 1,2%. Analistas apontam que a combinação de juros elevados e moeda forte deve continuar pressionando o ouro no curto prazo. "O cenário macro continua desafiador para o ouro, com o Fed determinado a manter a política monetária restritiva e o dólar forte", comentou o analista de mercados da corretora ABC, Carlos Silva.
Perspectivas
Investidores agora aguardam a divulgação da ata da última reunião do Fed, na quarta-feira, e os dados de inflação ao consumidor dos EUA, que podem dar novas direções ao mercado. Se os números vierem acima do esperado, a pressão sobre o ouro pode se intensificar. Por outro lado, surpresas negativas na inflação poderiam aliviar as apostas de alta dos juros e dar algum suporte ao metal precioso.



