O núcleo do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) dos Estados Unidos subiu 0,1% em junho na comparação mensal, conforme dados divulgados nesta quinta-feira pelo Bureau of Economic Analysis (BEA). O resultado ficou levemente abaixo das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,2%.
Inflação medida pelo PCE mostra arrefecimento
Na base anual, o núcleo do PCE avançou 2,5% em junho, mantendo-se estável em relação ao mês anterior e também ligeiramente abaixo da previsão de 2,6%. O índice cheio, que inclui alimentos e energia, subiu 0,1% no mês e 2,9% em doze meses, contra 2,8% esperado.
O PCE é a medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed) para decisões de política monetária. O dado mais fraco reforça a percepção de que a inflação está cedendo gradualmente, abrindo espaço para que o banco central americano considere cortes de juros ainda neste ano.
Impacto nos mercados financeiros
Após a divulgação, os futuros dos índices de ações americanos operavam em alta, enquanto o dólar recuava frente a outras moedas principais. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos caíram para perto de 4,1%, refletindo expectativas de afrouxamento monetário.
Para o Brasil, o dado benigno de inflação nos EUA é visto como alívio, já que reduz a pressão sobre o real e permite maior flexibilidade para o Banco Central. No entanto, analistas alertam que o cenário ainda é de cautela, com o Fed mantendo discurso dependente de dados.
Contexto econômico mais amplo
O PIB americano cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no primeiro trimestre, abaixo do esperado, indicando desaceleração econômica. A combinação de inflação moderada e crescimento fraco reforça o cenário de 'soft landing' (pouso suave) que o Fed tenta promover.
O próximo dado relevante será o payroll (relatório de empregos) de julho, que pode influenciar as próximas decisões do banco central. Atualmente, os mercados precificam cerca de 70% de chance de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro.



