Mercado reduz projeção para inflação de 2026 e ações reagem à pausa no Oriente Médio
Mercado reduz projeção de inflação para 2026

O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana com otimismo, impulsionado pela quarta redução consecutiva na projeção de inflação para 2026 e pela trégua no conflito do Oriente Médio. O Ibovespa futuro avançava, enquanto o dólar caía e os juros futuros recuavam, refletindo a melhora no cenário macroeconômico e geopolítico.

Inflação em baixa

O boletim Focus, do Banco Central, mostrou que a mediana das expectativas para o IPCA de 2026 caiu pela quarta semana seguida, agora para 4,10%, ante 4,30% há um mês. A redução reflete a percepção de que a política monetária contracionista e a desaceleração econômica estão surtindo efeito. "A queda consecutiva das projeções indica que o mercado está mais confiante na convergência da inflação para a meta", afirmou o economista-chefe de uma corretora, sob condição de anonimato.

Pausa no Oriente Médio e impacto no petróleo

O cessar-fogo temporário entre Israel e Hamas no Oriente Médio provocou um choque nos preços do petróleo. O barril do Brent despencou 9%, fechando abaixo de US$ 90, a primeira vez em semanas. A trégua reduziu o prêmio de risco geopolítico, beneficiando países importadores de petróleo como o Brasil. "A pausa no conflito alivia a pressão sobre os custos de energia e melhora o ambiente para ativos de risco", comentou um analista do mercado de commodities.

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Ibovespa e setor corporativo

O Ibovespa futuro subia 0,8% no início do pregão, puxado por ações ligadas a commodities e por notícias corporativas. A WEG recebeu dupla elevação de recomendação para compra do JPMorgan e do BBI, que veem a empresa em nova fase de crescimento. A ação da WEG subia 2,5%. Já a Vale foi cortada para neutro pelo Goldman Sachs, que aponta poucos gatilhos de curto prazo. O papel caía 0,3%. A Petrobras, por sua vez, acompanhava a queda do petróleo, mas com perdas limitadas devido ao movimento do dólar.

Política doméstica e internacional

No campo político, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina para transmitir repulsa por fala do presidente Javier Milei, que criticou o governo Lula. O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, chamou Milei de "palhaço" em reação às falas. Simultaneamente, especialistas discutem a legalidade do uso de inteligência artificial na convenção do PL para Jair Bolsonaro. A crise diplomática com os EUA também entra na corrida presidencial, segundo pesquisa AtlasIntel.

Destaques corporativos

Além da WEG, outras ações em foco incluem Brava, Embraer, Iochpe-Maxion e Isa Energia. A Embraer anunciou novo contrato de vendas, enquanto a Isa Energia foi rebaixada para neutro pelo JPMorgan, que vê menos espaço para valorização. No setor de tecnologia, a fabricante chinesa de chips CXMT estreou na bolsa de Xangai com disparada de 470%, sinalizando forte demanda por semicondutores.

Perspectivas

Com a trégua no Oriente Médio e a inflação sob controle, o mercado volta a atenção para o cenário eleitoral e para a política fiscal. Especialistas alertam que o risco eleitoral ainda precifica prêmio nos títulos públicos, e que o IPCA+8% oferece pouco prêmio extra. Mesmo assim, o clima de curto prazo é de alívio, com o Ibovespa testando resistências e o dólar caminhando para a faixa dos R$ 5,50.

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