Lithium Ionic tem papel rebaixado pela Moody's
Lithium Ionic: Moody's rebaixa papel

A agência de classificação de risco Moody's rebaixou o rating de crédito da mineradora Lithium Ionic, que atua na extração de lítio no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A nota caiu de B3 para Caa1, com perspectiva negativa. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira e reflete preocupações com a liquidez da empresa e com os atrasos no cronograma de produção.

Motivos do rebaixamento

Segundo a Moody's, o rebaixamento reflete o risco de a empresa não conseguir honrar seus compromissos financeiros no curto prazo, devido à combinação de custos elevados, atrasos na construção da planta de processamento e à queda nos preços do lítio no mercado internacional. A agência também destacou a dependência da Lithium Ionic de financiamentos adicionais para concluir o projeto.

O rebaixamento para Caa1 indica que a obrigação é considerada de alto risco de crédito, com possibilidade de calote. A perspectiva negativa sinaliza que um novo rebaixamento pode ocorrer caso as condições não melhorem.

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Impacto no setor de lítio

A Lithium Ionic é uma das empresas que buscam explorar o potencial de lítio no Brasil, especialmente na região do Vale do Jequitinhonha, conhecida por suas reservas do mineral. O lítio é essencial para a fabricação de baterias de veículos elétricos e armazenamento de energia renovável.

Especialistas apontam que o rebaixamento pode afetar a confiança dos investidores no setor de mineração de lítio no país, que ainda está em desenvolvimento. No entanto, a demanda global por lítio deve continuar crescendo nos próximos anos, impulsionada pela transição energética.

Reação da empresa

Em nota, a Lithium Ionic afirmou que está ciente da decisão da Moody's e que está trabalhando para mitigar os riscos. A empresa disse que está em negociações avançadas para obter novos financiamentos e que a produção está prevista para começar no segundo semestre de 2027. Segundo a empresa, o rebaixamento não altera seus planos de longo prazo.

Analistas do setor, no entanto, alertam que a empresa precisa de uma injeção de capital significativa para concluir o projeto. O custo total estimado da planta é de US$ 300 milhões, dos quais cerca de US$ 100 milhões já foram investidos.

Contexto econômico

O rebaixamento ocorre em um momento de volatilidade nos preços das commodities, com o lítio sofrendo oscilações. No último ano, o preço do carbonato de lítio caiu cerca de 30%, o que pressionou as margens das mineradoras. A Moody's projeta que os preços do lítio permanecerão fracos no curto prazo, antes de uma recuperação gradual a partir de 2027.

A Lithium Ionic é controlada por investidores estrangeiros e tem como acionista majoritário o fundo canadense Lithium Royalty Corp. A empresa pretende produzir 20 mil toneladas de carbonato de lítio equivalente por ano, o que a colocaria entre os maiores produtores fora da Austrália e da América do Sul.

Apesar do rebaixamento, a empresa mantém sua meta de iniciar a produção e já firmou contratos de fornecimento com montadoras europeias e asiáticas. Contudo, a concretização desses contratos depende da conclusão da planta.

Próximos passos

A Lithium Ionic terá que apresentar um plano de refinanciamento à Moody's até o final do ano. A agência monitorará de perto a capacidade da empresa de levantar os recursos necessários. Se a empresa não conseguir, o rating pode ser rebaixado novamente, para Caa2 ou Caa3.

O caso da Lithium Ionic ilustra os desafios enfrentados por empresas juniores de mineração no Brasil, que muitas vezes dependem de financiamento externo e de condições favoráveis de mercado para viabilizar seus projetos.

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