Juros futuros caem com alívio no risco global
Juros futuros caem com alívio no risco global

Os juros futuros iniciaram a sessão desta segunda-feira, 3 de agosto de 2026, em queda, em meio ao alívio no risco global. O movimento, verificado nos primeiros negócios da B3, ocorre após a melhora do apetite por ativos de maior risco nos mercados internacionais. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) operam no vermelho, especialmente nos vértices de curto e médio prazo.

No cenário externo, o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos recua, enquanto o índice do dólar DXY perde força. O ambiente mais tranquilo é reflexo de dados de emprego mais fracos nos Estados Unidos, divulgados ao final da semana passada, que reforçaram a expectativa de que o Federal Reserve deve manter os juros inalterados nas próximas reuniões, ou mesmo iniciar um ciclo de cortes antes do previsto.

Essa combinação favorece os países emergentes, que tendem a atrair capital estrangeiro em um cenário de juros globais menos elevados. No Brasil, a queda das taxas futuras também é auxiliada pela valorização do real, que reduz a pressão inflacionária importada e dá mais conforto para o Banco Central na condução da política monetária.

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Taxas em queda na B3

Na B3, o contrato de DI para janeiro de 2027 recuava para 12,60% ao ano, contra o ajuste anterior de 12,70%. Já o vencimento de janeiro de 2028 era negociado a 12,20%, ante uma demonstração de 12,35%. Os vencimentos mais longos, como janeiro de 2031 e maio de 2033, também mostravam queda, com taxas em torno de 12,30% e 12,40%, respectivamente. Os números, no entanto, podem variar ao longo da sessão.

De acordo com participantes do mercado, a abertura em queda reflete a acomodação das taxas externas, mas o mercado não ignora as preocupações com o cenário fiscal doméstico. A semana será curta em indicadores, mas a agenda institucional é intensa.

Fiscal segue no radar

Nos próximos dias, a equipe econômica deve se reunir com líderes do Congresso para discutir medidas de contenção de despesas. A divulgação do Relatório de Receitas e Despesas, que ocorre no fim do mês, pode indicar a necessidade de contingenciamento do Orçamento. Além disso, a decisão da agência Moody's sobre a nota de crédito do Brasil continua no radar, o que mantém os agentes em estado de alerta.

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) da reunião da semana passada será publicada amanhã e pode trazer novas pistas sobre a direção dos juros no curto prazo. O mercado espera que o Banco Central mantenha a taxa Selic inalterada na próxima reunião, mas as projeções de inflação serão decisivas.

Análise do movimento

Alguns economistas avaliam que o movimento de queda das taxas futuras é uma correção após uma semana de alta, mas não configura uma mudança de tendência. “A melhora no cenário externo é bem-vinda, mas não resolve o problema fiscal brasileiro. O prêmio de risco embutido nos juros segue alto, e qualquer notícia ruim pode devolver as quedas de hoje”, afirma um gestor de um grande fundo de renda fixa, que pediu para não ser identificado.

Perspectivas para o mercado

Para os analistas do mercado, a sessão pode seguir com viés de queda caso o exterior permaneça favorável. No entanto, a ausência de novidades concretas sobre o ajuste fiscal pode limitar o movimento. Com isso, a curva de juros deve continuar sensível às notícias políticas.

O alívio no risco global é percebido também no câmbio, com o real sendo negociado em alta frente ao dólar. A combinação de juros futuros menores e câmbio mais apreciado é um dos fatores que podem apoiar a indústria de renda fixa, reduzindo o custo de financiamento de empresas e do governo.

Nos Estados Unidos, a agenda econômica da semana inclui a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) e a leitura preliminar da confiança do consumidor. Dados mais fracos que o esperado podem reforçar ainda mais o movimento de baixa nas taxas de juros globais, ampliando o espaço para queda nos juros futuros domésticos.

O investidor também acompanha o desenrolar das negociações sobre a reforma tributária no Senado. Avanços nesse front são vistos como positivos para o cenário estrutural, mas a tramitação, na prática, não deve causar grandes impactos no curto prazo.

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No fim do dia, a expectativa é de que a curva de juros feche a sessão com os principais vencimentos em queda. A intensidade do movimento dependerá da evolução dos mercados globais e das manchetes políticas no noticiário brasileiro.