O alívio na curva de juros brasileira após o cancelamento do leilão de títulos de inflação desta semana não durou muito. As taxas do Tesouro Direto voltam a operar em alta nesta terça-feira (23), em sessão marcada por forte aversão ao risco global diante da liquidação de ações de tecnologia nos Estados Unidos, e com o mercado digerindo a ata do Copom, divulgada mais cedo, em busca de mais clareza sobre a decisão do Banco Central de cortar a Selic em 0,25 ponto percentual.
Tesouro IPCA+ ultrapassa 8,5%
Destaque mais uma vez para o Tesouro IPCA+ 2032, o mais curto dos papéis de inflação, que volta a ultrapassar a marca de 8,5% de juro real por ano, após ter atingido 8,44% na véspera. O título com juros semestrais com vencimento em 2037 também flutua, e paga cada vez mais próximo do patamar de 8% ao ano.
Prefixados em alta
Nos prefixados, alta também por toda a curva, com os títulos de 2029 e 2031 pagando 14,83%, mantendo a precificação de alta da Selic, atualmente em 14,25%.
Impacto global e aversão ao risco
Nos EUA, as ações americanas abriram em forte queda na esteira de uma liquidação na Ásia também, com as ações de empresas ligadas a chips de memória despencando em meio a preocupações sobre a sustentabilidade da alta relacionada à inteligência artificial. O Nasdaq recuou até 2,4%, o S&P 500, 1,6%, e o Dow Jones, 1,6%.
Análise da ata do Copom
No Brasil, a ata do Copom trouxe mais detalhes sobre a decisão que fez o mercado apontar leniência do BC com a inflação. “A ata da reunião sugere que o Copom acomodará uma inflação significativamente acima da meta durante o horizonte relevante da política monetária”, observa Alberto Ramos, diretor de macroeconomia do Goldman Sachs. “Para o Copom, trajetórias de Selic alternativas mais agressivas, que levariam a uma inflação mais baixa até o final de 2027, mas abaixo da meta no primeiro semestre de 2028, poderiam induzir volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e nos agregados macroeconômicos”.
Taxas do Tesouro Direto
Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h23 desta terça-feira (23):
- Tesouro Reserva 2036: SELIC, vencimento 01/01/2036
- Tesouro Selic 2031: SELIC + 0,0743%, vencimento 01/03/2031
- Tesouro Prefixado 2029: 14,83%, vencimento 01/01/2029
- Tesouro Prefixado 2032: 14,83%, vencimento 01/01/2032
- Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037: 14,64%, vencimento 01/01/2037
- Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 8,52%, vencimento 15/08/2032
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037: IPCA + 7,92%, vencimento 15/05/2037
- Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,60%, vencimento 15/08/2040
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045: IPCA + 7,64%, vencimento 15/05/2045
- Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 7,25%, vencimento 15/08/2050
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060: IPCA + 7,45%, vencimento 15/08/2060



