Estudo com DNA identifica 32 espécies inéditas em colisões com aeronaves no Brasil
Estudo com DNA identifica 32 espécies inéditas em colisões aéreas

Um estudo inédito conduzido pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificou 32 espécies de fauna nunca antes registradas em colisões com aeronaves no Brasil. A pesquisa, que utilizou análise de DNA para identificar restos de animais encontrados em aeroportos e áreas de operação aérea, amplia significativamente o banco de dados nacional sobre o tema, essencial para a prevenção de acidentes.

Metodologia inovadora

O estudo analisou amostras biológicas coletadas entre 2017 e 2024 em 15 aeroportos brasileiros, abrangendo todas as regiões do país. Utilizando técnicas de sequenciamento de DNA, os pesquisadores conseguiram identificar espécies que, por estarem fragmentadas ou em estado avançado de decomposição, não poderiam ser reconhecidas por métodos tradicionais de morfologia. Segundo o coordenador da pesquisa, o biólogo Dr. Carlos Alberto de Oliveira, da UFRJ, “a tecnologia de DNA ambiental (eDNA) permitiu detectar espécies raras e de hábitos noturnos, que frequentemente passam despercebidas em inspeções visuais”.

Resultados e impactos

Das 32 espécies inéditas, 18 são aves, 10 são mamíferos e 4 são répteis. Entre as aves, destacam-se o gavião-real (Harpia harpyja) e a ararajuba (Guaruba guarouba), ambas ameaçadas de extinção. Entre os mamíferos, foram identificados o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e a onça-parda (Puma concolor). O estudo também revelou que 70% das colisões ocorrem durante o pouso e a decolagem, períodos críticos de voo. “Esses dados são fundamentais para que as autoridades aeroportuárias possam adotar medidas de manejo mais eficazes, como o controle de vegetação e a instalação de barreiras acústicas”, explicou o tenente-coronel aviador Marcos Silva, chefe da Divisão de Prevenção de Acidentes do CENIPA.

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Banco de dados ampliado

Com a inclusão das novas espécies, o banco de dados do CENIPA passa a contar com 1.247 espécies registradas em colisões com aeronaves no Brasil desde 1990. O número de acidentes envolvendo fauna tem crescido nos últimos anos: em 2024, foram reportados 2.345 incidentes, contra 1.890 em 2020. Apesar disso, a taxa de acidentes graves (com danos à aeronave ou feridos) manteve-se estável em 0,5% do total. “A identificação precisa das espécies ajuda a entender os padrões de comportamento animal e a prever riscos, salvando vidas e reduzindo prejuízos econômicos”, afirmou Oliveira.

Próximos passos

Os pesquisadores pretendem expandir o estudo para aeroportos de regiões remotas, como a Amazônia e o Pantanal, onde a biodiversidade é maior e os registros de colisões são subnotificados. Além disso, será desenvolvido um aplicativo para que pilotos e controladores de voo possam reportar avistamentos de fauna em tempo real, alimentando o banco de dados com informações georreferenciadas. O estudo foi publicado na revista científica Journal of Wildlife Management e já está sendo utilizado por órgãos de aviação civil de outros países da América Latina.

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