A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 para o setor financeiro brasileiro deve escancarar a crescente diferença de desempenho entre os principais bancos e empresas financeiras listadas na bolsa. Em relatório de prévia divulgado nesta semana, o Itaú BBA destacou Bradesco (BBDC4) e Nubank (BDR: ROXO34) como suas principais preferências entre os bancos, além de BTG Pactual (BPAC11) no segmento de mercado de capitais e dLocal (DLO), do Uruguai, entre as empresas de pagamentos.
Bradesco: destaque positivo entre os grandes bancos
Os analistas Pedro Leduc, William Barranjard e Kelvin Dechen, que assinam o relatório do BBA, avaliam que o ambiente continua desafiador, mas destacam que as expectativas para o setor seguem baixas em razão das mudanças recentes no cenário macroeconômico e dos valuations ainda deprimidos. Nesse contexto, algumas instituições devem conseguir navegar melhor pelo ambiente do que outras.
Entre os grandes bancos, o Bradesco aparece como o destaque positivo da temporada. O Itaú BBA projeta lucro líquido de R$ 7,1 bilhões no segundo trimestre, alta de 16% na comparação anual, com retorno sobre patrimônio (ROE) de 16,1%. O desempenho deve ser impulsionado pelo crescimento da carteira de crédito, expansão da margem financeira e contribuição robusta da operação de seguros. Segundo os analistas, o banco deve apresentar mais um trimestre de resultados de alta qualidade, beneficiado pela melhora na originação de crédito e por um custo de risco relativamente estável. O Bradesco segue sendo a principal recomendação do Itaú BBA entre os bancos tradicionais.
Banco do Brasil e Santander: cenário oposto
Na direção oposta, o Banco do Brasil (BBAS3) deve reportar um dos trimestres mais fracos entre os grandes bancos. A instituição estima lucro líquido de R$ 2,9 bilhões, queda de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, refletindo crescimento modesto da carteira de crédito e provisões ainda elevadas, especialmente ligadas à carteira do agronegócio. O retorno sobre patrimônio deve ficar em apenas 5,8%.
O Santander Brasil (SANB11) também deve enfrentar um trimestre mais difícil. O Itaú BBA prevê lucro líquido de R$ 3,6 bilhões, recuo de 1% em base anual e de 5% frente ao trimestre anterior. A combinação de crescimento limitado das receitas e aumento do custo de crédito deve continuar pressionando os resultados.
Nubank: recuperação de confiança
Entre os bancos digitais, a atenção do mercado deve se voltar para o Nubank. Após preocupações geradas pela evolução das provisões no primeiro trimestre, o Itaú BBA acredita que a fintech entregará um resultado capaz de restaurar a confiança dos investidores. A previsão é de crescimento de 37% da carteira de crédito e de 40% da margem financeira líquida na comparação anual. O lucro líquido deve atingir R$ 4,8 bilhões, avanço de 33%, com ROE de 28,4%.
Já o Inter (BDR: INBR32) segue gerando mais cautela. Embora a instituição continue expandindo a carteira de crédito, o Itaú BBA vê pressão crescente sobre as margens ajustadas ao risco, especialmente em operações de crédito consignado e cartões. A expectativa é de lucro praticamente estável em R$ 401 milhões.
BTG Pactual e XP: mercado de capitais
No segmento de mercado de capitais, o BTG Pactual permanece como a principal escolha da corretora. O banco deve registrar lucro próximo de R$ 4,85 bilhões, mantendo níveis recordes de rentabilidade mesmo em um ambiente menos favorável para ofertas e emissões de dívida. Os analistas destacam a diversificação dos negócios e o ganho contínuo de participação de mercado como diferenciais importantes para o banco.
Já a XP (XPBR31), embora as receitas continuem pressionadas pela atividade mais fraca no mercado de ações e emissões, deve compensar parte desse efeito com maior disciplina de custos e melhora da rentabilidade. O lucro líquido projetado é de R$ 1,33 bilhão.
B3 e seguradoras: desempenhos divergentes
Entre as empresas ligadas ao mercado financeiro, a B3 (B3SA3) deve sentir os efeitos da menor atividade de negociação. A receita tende a recuar na comparação trimestral devido ao menor volume financeiro médio negociado, embora o resultado final seja beneficiado por eventos não recorrentes, como a venda de participação na Dimensa e a distribuição extraordinária de recursos relacionada ao IOC.
No setor de seguros, o Itaú BBA vê continuidade da divergência entre BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3). A Caixa Seguridade deve seguir com crescimento mais consistente de prêmios e lucro, enquanto a BB Seguridade enfrenta desaceleração em algumas linhas de negócios, embora ambas devam manter sinistralidade controlada e forte resultado financeiro.
Pagamentos: dLocal como principal aposta
Já no segmento de pagamentos, o cenário permanece desafiador para PagBank (PAGS34) e Stone. As duas companhias continuam enfrentando crescimento moderado de volumes e pressão sobre as taxas cobradas dos clientes. Em contrapartida, o Itaú BBA destaca a dLocal como a principal aposta do setor, graças à forte expansão de volumes, crescimento internacional e avanço da rentabilidade. A companhia deve registrar aumento de 44% no lucro líquido em relação ao segundo trimestre de 2025.
Assim, os investidores devem privilegiar instituições capazes de combinar crescimento de receitas, controle do risco de crédito e diversificação de negócios, enquanto bancos e financeiras mais expostos à compressão de margens e ao aumento das provisões tendem a continuar sob pressão.



