IPCA-15 surpreende e impulsiona Ibovespa, mas mercado vê cautela
IPCA-15 surpreende e impulsiona Ibovespa, mas cautela

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) referente a julho, que ficou abaixo do piso das estimativas do mercado. O dado trouxe alívio para os investidores, que reagiram com queda nos juros futuros e alta de 1% no Ibovespa. Apesar do movimento positivo, especialistas ponderam que a inflação ainda está próxima do teto da meta, o que pode limitar o espaço para novos cortes na taxa Selic.

Juros futuros recuam com IPCA-15 abaixo do esperado

Os contratos de juros futuros registraram queda em toda a extensão da curva após a divulgação do IPCA-15. O índice veio abaixo da mediana das projeções e, principalmente, abaixo do piso das estimativas, o que foi interpretado como um sinal de que a inflação pode estar perdendo força mais rapidamente do que o esperado. Com isso, as apostas em um novo corte de juros pelo Banco Central na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ganharam força. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano, e o mercado precifica uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima decisão.

Ibovespa sobe 1% com alívio inflacionário

A bolsa brasileira também se beneficiou do clima de otimismo. O Ibovespa fechou em alta de 1%, impulsionado principalmente pelos setores mais sensíveis aos juros, como consumo e varejo. Ações como Magazine Luiza e Lojas Renner registraram ganhos expressivos. No entanto, analistas alertam que a alta pode ser apenas um movimento de curto prazo. Segundo analistas, o mercado não deve cantar vitória, pois a inflação ainda está pressionada e acima do centro da meta.

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Fluxo cambial negativo reforça cautela

Paralelamente, o Banco Central divulgou que o fluxo cambial total em julho até o dia 23 está negativo em US$ 538 milhões. O dado reforça a cautela dos investidores em relação ao cenário externo e à força do real. A entrada de dólares no país tem sido insuficiente para cobrir as saídas, o que pressiona a moeda brasileira. A combinação de inflação ainda pressionada e fluxo cambial negativo pode limitar a capacidade do Banco Central de cortar juros de forma mais agressiva.

Mercado vê alívio, mas não vitória

Apesar do movimento positivo nos ativos, a maioria dos analistas recomenda cautela. O IPCA-15 ainda está próximo do teto da meta de inflação, que é de 3,25% para este ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima. O índice acumulado em 12 meses também segue acima do centro da meta. Para um economista-chefe de um banco de investimentos, o dado de hoje é um alívio, mas não muda o cenário de forma estrutural. O Banco Central precisa de mais evidências de que a inflação está convergindo para a meta antes de acelerar o ciclo de cortes.

Renda fixa: taxas recuam com expectativa de corte

No mercado de renda fixa, as taxas dos títulos indexados ao IPCA e dos prefixados caíram. Na plataforma da XP, por exemplo, as taxas dos CDBs, LCIs e LCAs apresentaram redução, refletindo a maior aposta em cortes de juros. Para o investidor, esse movimento pode representar uma oportunidade de travar taxas mais altas antes que novos cortes ocorram. Com a queda dos juros futuros, o Tesouro IPCA+ também viu suas taxas recuarem, o que reduz o potencial de ganho para novos compradores, mas beneficia quem já possui títulos.

Próximos passos para a política monetária

Com o IPCA-15 abaixo do esperado, as expectativas para o IPCA cheio de julho também foram revisadas para baixo. O mercado agora aguarda a divulgação do IPCA de julho no dia 10 de agosto para confirmar a tendência de desaceleração. Se confirmada, a chance de um corte de 0,50 ponto percentual na Selic em setembro aumenta. No entanto, o BC deve manter a cautela, especialmente diante das incertezas fiscais e da desancoragem das expectativas de inflação para 2024 e 2025. As próximas divulgações, como os dados de atividade econômica e a arrecadação federal, também serão monitoradas de perto.

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Impacto no mercado de ações

Além do Ibovespa, outros índices setoriais também se beneficiaram. O índice de consumo subiu 1,5%, enquanto o de utilities avançou 0,8%. As ações de empresas ligadas ao ciclo econômico doméstico, como varejistas e construtoras, foram as maiores altas. No entanto, papéis de empresas de tecnologia e de commodities tiveram desempenho misto, refletindo o cenário externo ainda desafiador. O mercado de ações brasileiro segue atento aos balanços do segundo trimestre, que podem trazer novos direcionadores para os investimentos.