O mercado financeiro brasileiro teve um dia de alívio com o IPCA-15 de julho, que veio abaixo do piso das expectativas, levando o Ibovespa a subir 1%. A prévia da inflação ficou no limite inferior do intervalo projetado, alimentando esperanças de um novo corte de juros pelo Banco Central. No mesmo dia, a Caixa Econômica Federal confirmou o repasse de R$ 13 bilhões do lucro do FGTS aos trabalhadores, enquanto no cenário internacional, Donald Trump mencionou conversas positivas sobre o Irã e o Barclays reportou lucro 17% maior.
IPCA-15 surpreende e impulsiona a Bolsa
A prévia da inflação de julho, medida pelo IPCA-15, ficou abaixo do piso das expectativas do mercado, o que trouxe alívio aos investidores. O índice encostou no teto da meta do Banco Central, mas ainda dentro do intervalo tolerado, abrindo espaço para um possível novo corte de juros na próxima reunião do Copom. Com isso, os juros futuros recuaram em toda a extensão da curva, e o Ibovespa fechou em alta de 1%, recuperando parte das perdas recentes.
Para analistas, o dado não representa uma vitória definitiva contra a inflação, mas um alívio temporário. "O mercado vê alívio, não vitória", comentou um estrategista de renda fixa. Ainda assim, o movimento foi suficiente para impulsionar ações de empresas como TIM e Vivo, que haviam caído após a divulgação dos balanços do segundo trimestre. As duas operadoras foram destaques negativos do Ibovespa, mas o cenário macro ajudou a conter as perdas.
Caixa confirma repasse bilionário do FGTS
A Caixa Econômica Federal confirmou o repasse de R$ 13 bilhões do lucro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aos trabalhadores. O valor corresponde a parte do resultado positivo do fundo em 2023 e será distribuído proporcionalmente aos cotistas. A medida foi anunciada após reunião do Conselho Curador do FGTS e deve beneficiar milhões de brasileiros. O repasse já era esperado, mas a confirmação oficial animou o mercado, que vê o dinheiro como um estímulo ao consumo.
O FGTS registrou lucro recorde no ano passado, impulsionado pela rentabilidade dos investimentos em habitação e infraestrutura. A distribuição dos lucros é uma prática recorrente, mas o montante deste ano é um dos maiores já registrados.
Mercados internacionais: Trump, Rússia e Barclays
No cenário externo, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter tido "conversas positivas" sobre o Irã, reiterando sua ameaça de atacar alvos no país. A declaração foi feita durante um comício na Flórida, sem dar mais detalhes. Enquanto isso, a Rússia disse ter atacado pelo menos dois navios ucranianos no Mar Negro e atingido um porto, elevando as tensões na região.
No setor bancário europeu, o Barclays reportou lucro de US$ 8,11 bilhões no segundo trimestre, alta de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo boom do mercado de ações. O resultado superou as expectativas dos analistas e reforçou a visão otimista para o setor.
Outros destaques do dia
O fluxo cambial total em julho, até o dia 23, ficou negativo em US$ 538 milhões, segundo dados do Banco Central. O déficit reflete a saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira, em meio à aversão ao risco global. No mercado de renda fixa, as taxas de CDBs, LCIs e LCAs na XP recuaram com o IPCA-15 fraco, oferecendo oportunidades para investidores.
No segmento de FIIs, a Hedge Investments fechou acordo para vender um edifício no Morumbi por R$ 86,4 milhões. O negócio demonstra a liquidez do mercado imobiliário corporativo. Já o JPMorgan elevou a recomendação para JBS, rebaixou a Minerva e manteve a MBRF como favorita no setor de proteínas.
O JPMorgan também fez escolhas no setor de utilities, após desempenho abaixo do mercado. Enquanto isso, a Fitch alertou que a correção em inteligência artificial está se tornando um importante risco de crédito global. Na política, a imprensa argentina vê crise com o Brasil, mas avalia que o comércio deve conter a escalada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta críticas da oposição, com o deputado Flávio Bolsonaro afirmando à PF que a comparação entre Lula e Maduro não configura calúnia.
Por fim, na carreira, a Espanha atualizou os requisitos para o visto de nômade digital, facilitando a entrada de trabalhadores remotos brasileiros. E o terremoto no Japão, medido pela escala Shindo, reacendeu discussões sobre a preparação para desastres.



