A prévia da inflação de julho, o IPCA-15, veio abaixo do piso das expectativas, provocando um movimento de alívio nos mercados financeiros brasileiros nesta sexta-feira. O índice subiu 0,30% no mês, ante projeções de 0,35% a 0,40%, e a taxa anualizada encostou no teto da meta, mas sem ultrapassá-lo. O resultado impulsionou o Ibovespa a uma alta de 1%, aos 128.500 pontos, enquanto os juros futuros recuaram em toda a extensão da curva. No entanto, analistas do mercado alertam que ainda não é hora de comemorar: o alívio é visto como pontual, não uma vitória definitiva contra a inflação.
Impacto nos juros e na curva futura
Com o IPCA-15 abaixo do piso, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) caíram de 1 a 4 pontos-base nos vencimentos de curto prazo, e até 6 pontos nos longos. O movimento reforçou a expectativa de que o Banco Central possa realizar um novo corte de 0,50 ponto percentual na Selic na próxima reunião, levando a taxa básica para 13,25% ao ano. No entanto, parte do mercado ainda vê riscos inflacionários à frente, especialmente com a pressão de serviços e a incerteza fiscal.
Ibovespa: destaques de alta e queda
O índice acionário brasileiro foi puxado principalmente por ações de empresas ligadas ao consumo e à construção civil, que se beneficiam de juros mais baixos. Entre as altas, destaque para a Magazine Luiza (MGLU3) e a Cyrela (CYRE3), que subiram mais de 3%. Por outro lado, as ações da TIM (TIMS3) e da Vivo (VIVT3) foram as maiores quedas do dia, recuando 2,5% e 1,8% respectivamente, após a divulgação de balanços do segundo trimestre que não agradaram o mercado. O Santander Brasil (SANB11) também ensaiava recuperação, após cair 15% no ano, mas o balanço do 2T ainda é visto como incerto.
Fluxo cambial e contas públicas
O Banco Central divulgou que o fluxo cambial total em julho até o dia 23 está negativo em US$ 538 milhões, indicando saída de dólares do país. Esse dado, combinado com a piora fiscal, preocupa investidores. O gestor da Armor Capital, em entrevista ao InfoMoney, afirmou que o quadro das contas públicas só tende a piorar nos próximos anos, o que pode limitar o espaço para cortes de juros.
Repasse do FGTS e outras notícias
A Caixa Econômica Federal confirmou o repasse de R$ 13 bilhões do lucro do FGTS aos trabalhadores, o que deve injetar recursos na economia. Em outra frente, o ex-presidente Donald Trump prorrogou por mais um ano a emergência nacional sobre o Brasil, mas os detalhes por trás da medida ainda não foram esclarecidos. Além disso, a Fitch emitiu um alerta de que a correção em inteligência artificial está se tornando um importante risco de crédito global.
Perspectivas para o segundo semestre
O mercado segue de olho na temporada de balanços do 2T, com oportunidades em ações como as recomendadas pelo BB Ações (BBA). O JPMorgan elevou a recomendação para JBS, rebaixou Minerva e manteve MBRF como favorita no setor de proteínas. Já no setor de seguros, ações como BBSE3 e CXSE3 estão sendo rebaixadas por analistas. Enquanto isso, a expectativa é de que o IPCA-15 mais baixo traga alívio temporário, mas a trajetória dos juros e a política fiscal continuarão no centro das atenções dos investidores.



