Um levantamento realizado pela Live University em parceria com o Inbrasc (Instituto Brasileiro de Supply Chain) aponta que apenas 14% das empresas brasileiras adotam soluções de inteligência artificial (IA) avançada em suas cadeias de suprimentos. O estudo indica que o setor, responsável por produzir, transportar e entregar mercadorias, ainda engatinha na extração de valor dos dados disponíveis.
Adoção ainda incipiente
De acordo com os pesquisadores, a maioria das companhias utiliza ferramentas básicas de automação, mas não consegue integrar sistemas preditivos ou agentes autônomos de IA. “A maturidade digital no supply chain brasileiro é baixa. Muitos ainda operam com planilhas e sistemas legados”, afirma o coordenador do estudo, professor Ricardo Martins. A pesquisa entrevistou 320 empresas de portes variados entre janeiro e março de 2025.
Case Prestex: rastreabilidade preditiva em logística ultraexpressa
Um exemplo de aplicação bem-sucedida é o da Prestex, empresa de logística B2B especializada em entregas ultraexpressas. A companhia implementou agentes de IA para monitorar em tempo real cada etapa do transporte, prevendo atrasos e desvios antes que ocorram. “Reduzimos em 23% as falhas de entrega e aumentamos a satisfação dos clientes em 18%”, revela o CEO da Prestex, Carlos Almeida.
O sistema utiliza machine learning para analisar dados históricos, condições climáticas e tráfego, gerando rotas dinâmicas. Além disso, a rastreabilidade preditiva permite que a central de operações seja alertada sobre potenciais problemas, como quebras de veículos ou congestionamentos, com até 40 minutos de antecedência.
Desafios e oportunidades
O estudo também identificou barreiras para a adoção da IA, como falta de profissionais qualificados (citado por 47% dos entrevistados) e alto custo de implementação (39%). Por outro lado, as empresas que já utilizam IA avançada relatam ganhos médios de 15% na eficiência operacional e redução de 12% nos custos logísticos.
Para o diretor do Inbrasc, Luiz Fernando Costa, o Brasil tem potencial para acelerar a digitalização do setor. “Com políticas de incentivo e capacitação, podemos saltar dos atuais 14% para 35% em dois anos”, projeta. O levantamento completo será apresentado no Congresso Brasileiro de Supply Chain, em junho.



