Inflação recua em junho e abre espaço para corte da Selic em agosto
Inflação recua em junho e abre espaço para corte da Selic

A inflação medida pelo IPCA desacelerou em junho, registrando alta de 0,16%, resultado inferior ao esperado pelo mercado. O índice surpreendeu analistas, que projetavam variação entre 0,20% e 0,30%. A principal contribuição veio da queda nos preços de alimentos e combustíveis, que aliviaram o custo de vida das famílias brasileiras.

Alívio nos preços de alimentos e combustíveis

Segundo dados divulgados pelo IBGE, os preços dos alimentos recuaram 0,5% em junho, puxados por itens como tomate, batata e frutas. Os combustíveis também apresentaram queda, com destaque para a gasolina, que caiu 1,2% no período. Esses movimentos compensaram parcialmente as altas observadas em serviços, que seguem pressionados.

"A inflação de serviços, especialmente os intensivos em mão de obra, continua elevada, mas a surpresa positiva nos preços administrados e nos alimentos dá fôlego para o BC considerar um novo corte na Selic", afirmou André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Copom pode reduzir Selic em agosto

Com o IPCA abaixo do esperado, a maioria dos economistas consultados avalia que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem espaço para reduzir a taxa Selic na reunião de agosto. Atualmente em 13,75% ao ano, a Selic pode cair para 13,50% ou até 13,25%, dependendo da evolução das expectativas de inflação.

"O recuo da inflação reforça a avaliação de que o BC pode voltar a cortar os juros na próxima reunião do Copom. O IPCA de junho surpreendeu analistas ao ficar abaixo das estimativas", destaca o relatório da consultoria Tendências.

Inflação anual ainda acima da meta

Apesar do alívio mensal, a inflação acumulada em 12 meses até junho é de 4,64%, ainda acima do centro da meta de 3,25% perseguida pelo Banco Central. O risco de El Niño para o segundo semembro também preocupa, pois pode impactar a produção agrícola e elevar os preços dos alimentos novamente.

"O cenário para o segundo semestre é de cautela. O El Niño pode trazer volatilidade para os preços de alimentos e energia, o que pode limitar o espaço para cortes adicionais de juros", alerta a economista-chefe da XP Investimentos, Tatiana Nogueira.

Setor de serviços segue pressionado

O índice de difusão da inflação de serviços permaneceu elevado, indicando que a pressão sobre os preços nesse segmento ainda não arrefeceu. Itens como alimentação fora do lar, aluguel e planos de saúde continuam subindo acima da média geral. Isso mantém o Copom em alerta, pois a inflação de serviços é mais persistente e menos sensível a choques temporários.

"Não há espaço para comemoração. A inflação de serviços ainda está muito alta, e o mercado de trabalho aquecido pode impedir uma queda mais rápida. O BC deve agir com cautela", pondera o economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso.

Em resumo, o IPCA de junho trouxe alívio momentâneo, mas os desafios para o cumprimento da meta de inflação permanecem. A decisão do Copom em agosto dependerá da evolução das expectativas e dos riscos climáticos para o segundo semestre.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar