O ex-presidente do Banco Central, em entrevista recente, alertou que a persistente inflação baixa no Brasil pode comprometer os ganhos das NTN-Bs, títulos públicos indexados ao IPCA. Segundo ele, com a desaceleração dos preços, a rentabilidade real desses papéis tende a encolher, frustrando expectativas de investidores que buscavam proteção inflacionária.
O impacto da inflação baixa nas NTN-Bs
As NTN-Bs são títulos que pagam uma taxa de juros prefixada mais a variação do IPCA. Quando a inflação cai, a parcela do IPCA diminui, reduzindo o retorno total. O economista destacou que, se o IPCA ficar abaixo das projeções do mercado por um período prolongado, os ganhos reais podem se tornar negativos para quem comprou os títulos com prêmios elevados.
Dados do mercado mostram que, em 2024, a inflação acumulada em 12 meses deve ficar em torno de 4%, abaixo da média histórica. “Se a inflação continuar nesse patamar, os investidores que compraram NTN-Bs com taxas de 6% ao ano mais IPCA terão rendimentos reais muito menores do que o esperado”, afirmou o ex-BC.
Estratégias para investidores
Diante desse cenário, o especialista recomenda cautela com títulos indexados à inflação de longo prazo. Ele sugere diversificar a carteira com ativos de curto prazo e títulos prefixados, que podem se beneficiar da queda dos juros. “O investidor precisa reavaliar suas posições em NTN-Bs, especialmente as mais longas, pois o risco de inflação baixa pode superar o benefício da proteção”, completou.
A advertência ecoa entre analistas, que já observam movimento de saída desses papéis. No mês passado, os fundos de renda fixa com foco em NTN-Bs registraram resgates líquidos de R$ 1,2 bilhão. A tendência pode se intensificar se a inflação continuar surpreendendo para baixo.



