Ex-BC alerta: inflação baixa derrete ganhos das NTN-Bs
Inflação baixa derrete ganhos das NTN-Bs, diz ex-BC

O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, emitiu um alerta aos investidores de renda fixa: a inflação baixa pode derreter os ganhos das NTN-Bs, títulos públicos atrelados ao IPCA. Em evento realizado nesta quarta-feira, Fraga destacou que, com a taxa de inflação recuando para próximo de 3,5% ao ano, o rendimento real desses papéis pode se aproximar de zero ou até tornar-se negativo.

O que são as NTN-Bs?

As Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) são títulos pós-fixados que pagam uma taxa de juros real prefixada mais a variação da inflação medida pelo IPCA. Elas são amplamente procuradas por investidores que buscam proteção contra a alta de preços. No entanto, a desaceleração da inflação tem pressionado os rendimentos reais.

Segundo dados do Tesouro Direto, a taxa real das NTN-Bs com vencimento em 2028 caiu de 5,5% ao ano em janeiro para cerca de 4,2% atualmente. Fraga calcula que, se a inflação mantiver-se em 3,5%, o retorno real líquido após impostos pode ficar abaixo de 2% ao ano, inviabilizando a estratégia de diversificação.

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Impacto para investidores

"O cenário de inflação baixa é positivo para a economia, mas não necessariamente para quem comprou NTN-B a taxas mais altas. Estamos vendo uma compressão dos prêmios de risco e isso deve continuar", afirmou Fraga. Ele recomendou que os investidores reavaliem suas posições e considerem migrar para ativos que não dependam tanto da inflação, como títulos prefixados de curto prazo ou fundos multimercado.

O alerta ganha relevância em meio à expectativa de que o Banco Central possa reduzir a Selic nos próximos meses. A taxa básica de juros está em 10,5% ao ano, e o mercado projeta cortes para 9,5% até o fim de 2024. Isso tende a reduzir ainda mais a atratividade das NTN-Bs, já que a parte prefixada do título também cai.

Alternativas apontadas por especialistas

Para o economista-chefe da gestora Infinity, Marcos Pelegrini, o investidor deve buscar títulos com duration mais curta. "As NTN-Bs longas são as mais vulneráveis. Quem pode, deve reduzir a exposição ou trocar por LCIs e LCAs isentas, que ainda pagam 90% do CDI e não têm volatilidade de marcação a mercado", disse.

Outra opção são os fundos de renda fixa com foco em crédito privado, que oferecem spreads mais elevados. No entanto, o risco de crédito deve ser monitorado de perto. Fraga concluiu: "O mercado está se ajustando a uma nova normalidade. É hora de ser mais seletivo."

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