Ibovespa tem forte alta com IPCA-15 surpreendendo para baixo
O Ibovespa fechou em forte alta nesta quinta-feira (28), impulsionado pelo IPCA-15 de julho, que veio abaixo das expectativas do mercado. O índice subiu 2,3%, aos 125.800 pontos, na contramão de seus pares emergentes, que registraram quedas no mesmo dia. O dado de inflação aliviou as preocupações com um aperto monetário mais agressivo no Brasil.
IPCA-15 fica em 0,12% ante projeção de 0,30%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,12% em julho, taxa inferior à mediana das projeções do mercado, que era de 0,30%. A leitura foi divulgada pelo IBGE antes da abertura dos mercados. No acumulado em 12 meses, o indicador passou de 3,85% para 3,72%, reforçando a trajetória de desinflação.
Contraste com emergentes e impacto nos juros
Enquanto o Ibovespa avançava, índices de países emergentes como MSCI Emerging Markets caíam 1,1%, pressionados por dados fracos da China e incertezas sobre políticas de juros nos Estados Unidos. Para analistas, o IPCA-15 brasileiro foi um fator isolado de otimismo. “O número muito abaixo do esperado reduz a pressão sobre o Banco Central para elevar a Selic, o que é positivo para ativos de risco”, afirmou Luiz Felipe Pontes, economista-chefe da Gestão Capital.
Setores mais beneficiados e volume financeiro
As ações mais beneficiadas foram as de consumo e varejo, com destaque para Magazine Luiza (+5,4%) e Lojas Renner (+4,7%). O volume financeiro negociado na B3 foi de R$ 28,5 bilhões, acima da média diária dos últimos 30 dias, de R$ 22 bilhões. O real também se valorizou, com o dólar caindo 1,1%, cotado a R$ 5,02.
Perspectivas para os próximos meses
Segundo Pontes, o mercado deve manter a cautela, mas o IPCA-15 abre espaço para uma reversão parcial das expectativas de juros. “Se o próximo IPCA confirmar a tendência, podemos ver o Ibovespa testando resistências importantes”, completou. O índice acumula alta de 4,8% no mês de julho.



