Ibovespa sobe, desemprego cai a 5,4% e juros ao consumidor atingem 64% ao ano
Ibovespa sobe, desemprego cai e juros ao consumidor batem 64%

O Ibovespa retomou o patamar dos 175 mil pontos nesta quinta-feira, impulsionado por um exterior mais calmo após a decisão do Federal Reserve e por dados econômicos domésticos positivos. A alta inverteu a trajetória da semana, que até então era de leve queda, e renovou o otimismo dos investidores com a bolsa brasileira.

Desemprego cai, mas juros ao consumidor disparam

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% em junho, o menor nível para o mês desde 2014. O recuo surpreendeu analistas e mostra um mercado de trabalho aquecido, o que tem ajudado a amortecer os efeitos dos juros elevados sobre a economia real. No entanto, a mesma pesquisa revelou que a taxa média de juros para pessoa física subiu para 64% ao ano em junho, com destaque para o rotativo do cartão de crédito, que continua liderando os encargos mais altos. Essa disparidade entre emprego e crédito acende um alerta para o consumo das famílias e para a política monetária do Banco Central.

Pressão sobre a Selic permanece

Apesar da queda no desemprego, a alta dos juros ao consumidor e a resiliência da inflação de serviços mantêm a pressão sobre a taxa Selic. A autoridade monetária já indicou que o ciclo de cortes pode ser interrompido se os dados de atividade continuarem fortes, e o mercado projeta que a Selic pode ficar estável ou até subir nos próximos meses. Segundo analistas, "o mercado de trabalho aquecido, combinado com juros ainda altos, cria um cenário complexo para o Banco Central, que precisa equilibrar crescimento e inflação".

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Destaques corporativos: Intelbras, Bradesco e mais

No front corporativo, as ações da Intelbras (INTB3) saltaram 11% após a divulgação de resultados do segundo trimestre acima do esperado. Analistas da XP classificaram a empresa como "uma das melhores histórias de execução do mercado". Já o Bradesco (BBDC4) anunciou um aumento de capital de R$ 10 bilhões, o que gerou queda inicial nas ações, mas especialistas avaliam que a medida pode ser positiva para o fortalecimento do banco no longo prazo. Outra empresa em destaque foi a Motiva (MOTV3), que subiu forte após surpreender positivamente com seu capex e resultados do 2T24.

Taxas do Tesouro IPCA+ batem recorde

No mercado de renda fixa, as taxas do Tesouro IPCA+ subiram e atingiram até 8,27% ao ano, renovando recordes históricos. O movimento foi puxado pelo cenário externo, com a alta dos juros longos nos Estados Unidos após a decisão do Fed, e também pela percepção de risco fiscal doméstico. Para investidores, as taxas elevadas representam uma oportunidade de garantir retornos reais altos, mas também indicam maior aversão ao risco no mercado.

Perspectivas para os próximos meses

Com a queda do desemprego e a alta dos juros, o mercado segue atento aos próximos passos do Banco Central e aos desdobramentos fiscais do governo Lula. A expectativa é de que a Selic permaneça em patamar elevado por mais tempo, o que deve continuar pressionando o crédito e a atividade econômica. Por outro lado, a bolsa brasileira se beneficia do fluxo externo e de valuations atrativos em alguns setores, como tecnologia e utilities. O cenário, portanto, é de cautela e seletividade para os investidores nos próximos meses.

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