O Ibovespa fechou em alta de 0,7% aos 176.564,75 pontos nesta terça-feira (28), impulsionado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de julho, que veio abaixo do esperado. O índice registrou variação de 0,06%, 0,35 ponto percentual abaixo da taxa de junho (0,41%) e abaixo do piso das expectativas na pesquisa Projeções Broadcast, de 0,17%. O teto era de 0,28%, com mediana de 0,21%. O volume negociado foi de R$ 22,3 bilhões.
IPCA-15 abaixo do esperado impulsiona juros futuros e Bolsa
Para Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, o dado reforçou um cenário qualitativamente otimista. “A combinação de um índice cheio mais fraco com a desaceleração na média dos núcleos sinaliza um contexto de alívio e melhora na dinâmica da inflação de curto prazo”, afirmou. O resultado se refletiu nos mercados, com queda nas taxas dos títulos do Tesouro Direto. “O cenário contribuiu para a queda dos juros futuros, com o mercado incorporando uma perspectiva mais favorável para a inflação”, disse Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank.
A queda dos juros futuros favoreceu o desempenho do Ibovespa, especialmente os papéis cíclicos. As maiores altas do dia foram Vamos (VAMO3), com valorização de 5,05% a R$ 3,33; Hapvida (HAPV3), com ganhos de 4,02% a R$ 10,60; e Fleury (FLRY3), com alta de 3,21% a R$ 17,06. A VAMO3 acumula alta de 18,51% no mês e 3,42% no ano. A HAPV3 sobe 3,82% no mês, mas acumula desvalorização de 28,04% no ano. A FLRY3 tem alta de 10,78% no mês e 13,73% no ano.
Dólar sobe com cautela externa e fiscal no radar
No mercado de câmbio, o dólar fechou em alta de 0,2% cotado a R$ 5,1223. O índice DXY, que mede a moeda americana contra seis divisas principais, caiu 0,12% a 101,417 pontos. Segundo Dalton Gardimam, economista-chefe da Ágora, o dólar se impõe como o principal risco para o segundo semestre, com o câmbio tendendo a se sobrepor às questões fiscais e eleitorais, em meio a juros elevados no Brasil e incertezas nos Estados Unidos.
No exterior, os mercados em Nova York tiveram desempenho misto. O S&P 500 subiu 0,21%, o Dow Jones avançou 1,03%, mas o Nasdaq caiu 0,22%. A Coca-Cola saltou 5% e a Boeing subiu 4,76% após resultados trimestrais. No setor de semicondutores, Micron, Intel e Western Digital perderam 8,85%, 5,86% e 6,91%, respectivamente.
Petróleo em queda pressiona mercados
O petróleo teve mais um dia de tombo. O barril do WTI para setembro caiu 4,06% na Nymex, a US$ 79,26, enquanto o Brent para outubro recuou 4,41% na ICE, a US$ 82,08. “O preço do petróleo parece muito mais inclinado a cair do que a subir. O que acontece atualmente é que novos ataques têm menos efeitos que promessas de acordo”, comentou Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos.
Destaques negativos: Telefônica, Tim e Sabesp
As maiores quedas do Ibovespa foram Telefônica Brasil (VIVT3), com recuo de 5,98% a R$ 33,83; Tim (TIMS3), com baixa de 5,81% a R$ 20,25; e Sabesp (SBSP3), com queda de 2,08% a R$ 28,27. A Telefônica teve balanço classificado como “morno” pelo Citi, com fluxo de caixa livre recorrente de R$ 2,2 bilhões (ou R$ 1,8 bilhão desconsiderando venda de ativos), abaixo das estimativas. A Tim reportou alta no lucro, mas não convenceu o mercado. A Sabesp completou os destaques negativos. A VIVT3 acumula alta de 0,03% no mês e 7,7% no ano; a TIMS3 cai 7,41% no mês e 3,98% no ano; a SBSP3 recua 4,62% no mês, mas sobe 6,64% no ano.
Segundo Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, a Hapvida reagiu bem ao fechamento da curva de juros por conta do IPCA-15 abaixo do esperado. O mercado segue atento aos próximos indicadores de inflação e à trajetória dos juros nos EUA, que influenciam o câmbio e o fluxo de capitais para emergentes.



