O Ibovespa futuro abriu em alta nesta quarta-feira, impulsionado pela decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros nos Estados Unidos, em linha com as expectativas do mercado. A política monetária norte-americana, combinada com a temporada de balanços corporativos no Brasil, direciona os negócios na Bolsa brasileira. O dólar opera praticamente estável ante o real, enquanto investidores aguardam desdobramentos da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana que vem.
Decisão do Fed e Impacto nos Mercados
O Fed optou por manter a taxa de juros entre 5,25% e 5,50%, conforme amplamente esperado. A decisão ocorre em meio a dados mistos da economia americana e volatilidade no preço do petróleo. A autoridade monetária sinalizou que precisa de mais confiança na trajetória da inflação antes de iniciar cortes, mas não descarta ajustes futuros. No mercado brasileiro, a manutenção dos juros americanos alivia pressões sobre o real e abre espaço para fluxo de capital estrangeiro para ativos de risco.
O Ibovespa futuro subiu cerca de 0,5% nos primeiros negócios, refletindo o alívio com a ausência de surpresas negativas. O índice à vista encerrou o pregão anterior em alta, puxado por ações de commodities e bancos. O dólar comercial operava estável, cotado a R$ 5,05, após oscilar entre pequenas altas e baixas.
Santander Brasil e Outros Destaques Corporativos
O Santander Brasil (SANB11) divulgou balanço do segundo trimestre que frustrou investidores, com aumento de provisões para devedores duvidosos e receitas mais fracas. Apesar de “boas notícias” em algumas linhas, o mercado destacou a pressão sobre a rentabilidade. As ações do banco caíram 15% no ano e ensaiam recuperação: analistas apontam que o balanço pode ser o gatilho para uma virada, mas recomendam cautela.
Já a Petrobras reportou produção recorde no trimestre, reforçando a projeção de um forte resultado e a possibilidade de distribuição de dividendos de até US$ 3 bilhões. A estatal também anunciou investimentos adicionais, mas o mercado aguarda detalhes sobre a política de preços. A WEG confirmou aportes de R$ 3,56 bilhões em 2026, após questionamentos da CVM, sinalizando confiança na demanda por equipamentos elétricos.
Pesquisa AtlasIntel: Lula Mantém Liderança
No campo político, pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta mostra o presidente Lula com 44,9% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35,8% do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível. A vantagem de Lula se mantém estável em relação a levantamentos anteriores, com a margem de erro de 2 pontos percentuais. O levantamento ouviu 2.000 eleitores entre os dias 20 e 25 de julho.
A pesquisa também avaliou a rejeição: 38% dos entrevistados disseram que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum, enquanto 28% rejeitam Lula. O cenário mostra polarização, mas com o petista em posição mais confortável para uma eventual vitória já no primeiro turno, embora a simulação de segundo turno contra um candidato de centro ainda não tenha sido divulgada.
Mercado de Trabalho e FGTS
A Caixa Econômica Federal confirmou o repasse de R$ 13 bilhões do lucro do FGTS aos trabalhadores. O valor será creditado nas contas vinculadas, com correção de 0,5% ao mês mais a taxa referencial. A medida injeta recursos na economia e pode aquecer o consumo, mas especialistas alertam que o impacto sobre o mercado de capitais deve ser limitado, já que a maior parte dos saques é direcionada ao consumo imediato.
Perspectivas para o Restante da Semana
O mercado segue atento à temporada de balanços, com destaque para divulgações de Meta e Microsoft nos EUA, que podem influenciar o apetite por tecnologia. No Brasil, a agenda inclui a reunião do Copom na próxima semana, com expectativa de manutenção da Selic em 10,50% ao ano. Apesar da inflação baixa, o comitê deve manter tom cauteloso diante da resiliência do mercado de trabalho e das incertezas fiscais.
No exterior, o minério de ferro caiu com demanda fraca da China, ofuscando riscos na oferta australiana. O petróleo operou volátil, com preocupações geopolíticas no Oriente Médio e a possibilidade de novos ataques a bases americanas no Iraque. A Arábia Saudita se juntou aos EUA em ataques no Iraque, elevando a tensão na região.



