O Ibovespa fechou em alta de 1% nesta quinta-feira (28), impulsionado pela surpresa positiva do IPCA-15, que veio abaixo do teto da meta de inflação. O índice de preços ao consumidor – prévia da inflação oficial – registrou variação de 0,30% em julho, ante expectativa de 0,35%, aliviando as preocupações com a política monetária e renovando as apostas em um novo corte de juros pelo Banco Central.
IPCA-15 surpreende e abre espaço para novo corte de juros
O IPCA-15 acumulado em 12 meses atingiu 4,25%, encostando no teto da meta de 4,5%, mas ainda dentro do intervalo de tolerância. Segundo analistas do mercado, o número veio abaixo do esperado e pode dar mais fôlego para o Copom reduzir a Selic na próxima reunião. Atualmente, a taxa básica está em 13,75% ao ano, e a expectativa é de um corte de 0,25 ponto percentual.
TIM e Vivo lideram quedas após balanço do 2T
Em contraste com o índice geral, as ações da TIM (TIMS3) e da Vivo (VIVT3) foram os destaques de queda, recuando 3,2% e 2,8%, respectivamente. O mau desempenho foi atribuído aos balanços do segundo trimestre, que mostraram desaceleração no crescimento de receitas e aumento dos custos. O JPMorgan, em relatório, classificou os números como “frustrantes” e reduziu a recomendação para as duas empresas.
Seguradoras sob pressão: BBSE3, CXSE3 e outras rebaixadas
O setor de seguros também amargou perdas. A BB Seguridade (BBSE3) e a Caixa Seguridade (CXSE3) foram rebaixadas por corretoras, com cortes nas recomendações de compra para neutro. O motivo apontado é a piora nas perspectivas de sinistralidade e um ambiente de juros mais baixos, que comprime as margens das seguradoras. Outras empresas do setor, como Porto Seguro (PSSA3) e SulAmérica (SULA11), também fecharam em baixa.
Santander Brasil ensaia recuperação após queda acumulada de 15% no ano
As units do Santander Brasil (SANB11) subiram 0,8% nesta sessão, interrompendo uma sequência de quedas. O papel ainda acumula perda de 15% em 2022, mas a expectativa é de que o balanço do segundo trimestre, a ser divulgado na próxima semana, sirva como catalisador para uma recuperação. O banco espanhol deve anunciar um lucro recorrente de R$ 3,5 bilhões, segundo consenso do mercado.
Fluxo cambial negativo e perspectiva fiscal preocupam
No cenário macroeconômico, o fluxo cambial total em julho até o dia 23 ficou negativo em US$ 538 milhões, conforme dados do Banco Central. A saída de dólares reflete a aversão a risco no curto prazo, especialmente diante das incertezas fiscais. O gestor da Armor Capital afirmou que “o quadro das contas públicas só tende a piorar nos próximos anos”, o que pode pressionar o câmbio e a inflação.
Política: Datafolha mostra Lula à frente no 2º turno e Trump prorroga emergência sobre Brasil
Na política, pesquisa Datafolha divulgada hoje aponta que, em um eventual segundo turno, o ex-presidente Lula (PT) teria 50% dos votos entre as mulheres, contra 40% do governador de São Paulo, Flávio Dino (PSB). Já no cenário internacional, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que prorrogará por mais um ano a emergência nacional sobre o Brasil, mantendo sanções comerciais e restrições a empresas brasileiras. A medida foi justificada por “ameaças à segurança nacional dos EUA” relacionadas ao desmatamento na Amazônia.
Perspectivas para o segundo semestre
Com a temporada de balanços do segundo trimestre em andamento, investidores monitoram os resultados das empresas para ajustar suas carteiras. O BB Investimentos destacou cinco ações para ficar de olho: Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Ambev (ABEV3). Já o Morgan Stanley vê a correção recente das ações de inteligência artificial como oportunidade, e incluiu papéis brasileiros em suas recomendações, como o B3 (B3SA3) e a Localiza (RENT3).



