Ibovespa sobe 1% com IPCA-15 abaixo do esperado; mercado vê alívio cauteloso
Ibovespa sobe 1% com IPCA-15 surpresa positiva

O Ibovespa fechou em alta de 1% nesta quarta-feira, impulsionado pela surpresa positiva do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que veio abaixo do piso das expectativas do mercado. A prévia da inflação de julho registrou variação de 0,30%, ante projeções que variavam de 0,35% a 0,50%, aliviando temporariamente as preocupações com a trajetória dos preços.

IPCA-15 abaixo do esperado derruba juros futuros

Com o dado mais fraco, os juros futuros recuaram em toda a extensão da curva. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 caíram 4 pontos-base, enquanto os vencimentos mais longos, como janeiro de 2031, registraram queda de 6 pontos-base. O movimento reflete a percepção de que o Banco Central pode ter espaço para um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião, em setembro.

O IPCA-15 de julho acumula alta de 4,45% em 12 meses, praticamente no teto da meta de inflação de 4,25% definida pelo Conselho Monetário Nacional. Apesar do alívio, analistas destacam que o cenário ainda é incerto. "O mercado vê alívio, mas não vitória", afirmou um estrategista de um grande banco de investimentos, sob condição de anonimato. "A inflação de serviços segue pressionada, e o mercado de trabalho aquecido pode limitar o espaço para cortes adicionais."

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Santander Brasil: balanço e perspectivas

No noticiário corporativo, o Santander Brasil (SANB11) divulgou seu lucro do segundo trimestre, superando as expectativas em 3%. O banco registrou lucro líquido de R$ 4,2 bilhões, impulsionado pelo aumento da carteira de crédito e redução das provisões para inadimplência. Contudo, as ações ainda acumulam queda de 15% no ano, e o mercado aguarda detalhes sobre a evolução da margem financeira e a qualidade dos ativos.

Implicações para a política monetária

A surpresa com o IPCA-15 reforça a tese de que a inflação pode estar convergindo para o centro da meta, mas o Comitê de Política Monetária (Copom) deve permanecer cauteloso. A ata da última reunião, divulgada na semana passada, já sinalizava que o BC não vê espaço para afrouxamento agressivo. "O IPCA-15 dá fôlego, mas não muda o cenário de juros restritivos", comentou um gestor de renda fixa de uma corretora.

O Ibovespa, que opera próximo dos 177 mil pontos, encontrou suporte nas ações de varejo e construção civil, setores mais sensíveis a juros baixos. Azul, Petz e Lojas Renner lideraram os ganhos, com altas entre 2% e 3%. Por outro lado, as ações de utilidades públicas e bancos tiveram desempenho misto, refletindo a expectativa de margens mais comprimidas.

Perspectivas para os próximos meses

Apesar do avanço de 1%, o Ibovespa ainda enfrenta resistência nos 178 mil pontos. O mercado monitora a tramitação da reforma tributária no Congresso, que pode impactar o crescimento econômico e, consequentemente, a inflação. Além disso, o cenário externo pressiona com a alta dos juros nos Estados Unidos, que fortalece o dólar e dificulta a atração de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira.

Em junho, o investimento estrangeiro em ações brasileiras foi negativo em US$ 2,794 bilhões, e o fluxo para o país continua fraco em julho. A queda dos juros futuros pode tornar a renda fixa local menos atrativa, mas o diferencial de juros ainda é favorável, com a taxa Selic em 13,75% ante os 5,5% dos Treasuries de 10 anos.

Para os próximos meses, o mercado aguarda os dados do IPCA cheio de julho, que será divulgado em agosto, e a reunião do Copom nos dias 19 e 20 de setembro. Se a inflação continuar surpreendendo para baixo, o BC pode voltar a cortar os juros, mas a decisão dependerá da evolução das expectativas e do cenário fiscal.

A alta de 1% do Ibovespa foi recebida com otimismo cauteloso. O mercado comemora o alívio inflacionário, mas sabe que a batalha contra a alta dos preços ainda não terminou. A prévia do IPCA-15 trouxe um respiro, mas o futuro dependerá da capacidade do governo de controlar os gastos e da resiliência da economia global.

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