Ibovespa sobe 1% com IPCA-15 abaixo do esperado; mercado vê alívio, mas não vitória
Ibovespa sobe 1% com IPCA-15 surpresa; juros recuam

O Ibovespa fechou em alta de 1% nesta segunda-feira, impulsionado pela surpresa positiva com o IPCA-15, que veio abaixo das expectativas do mercado. A prévia da inflação de julho ficou em 0,30%, contra a mediana de 0,35% esperada pelos analistas, e o acumulado em 12 meses cedeu a 4,45%, encostando no teto da meta do Banco Central. O resultado trouxe alívio, mas não euforia: investidores ainda veem riscos fiscais e externos que podem limitar os ganhos.

Juros futuros recuam e abrem espaço para novo corte na Selic

Com o IPCA-15 mais ameno, os juros futuros recuaram em toda a extensão da curva. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 caiu de 10,57% para 10,48%, enquanto o DI para 2027 passou de 11,12% para 11,01%. O movimento reforçou as apostas de que o Banco Central pode reduzir a Selic ainda este ano, atualmente em 13,75%. “O mercado vê uma trégua, mas não uma vitória sobre a inflação”, afirma Marcos Leme, economista-chefe da Fator Corretora.

Setor bancário e ações de utilities no radar

O Santander Brasil (SANB11) ensaiou recuperação após cair 15% no ano. O banco divulga balanço do segundo trimestre amanhã, e analistas esperam que o lucro líquido venha em linha com as estimativas. O JPMorgan elevou a recomendação para ações de utilities, como a Eletrobras e a Engie, após desempenho abaixo do setor. “A correção recente criou oportunidades seletivas”, justificou o banco em relatório.

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JPMorgan altera recomendação para frigoríficos

No segmento de proteínas, o JPMorgan elevou a recomendação para a JBS de neutra para compra, rebaixou a Minerva de compra para neutra e manteve a MBRF (Marfrig) como favorita. A mudança reflete a melhora nas margens da JBS com a recuperação do mercado americano e a maior exposição da Minerva ao Brasil, onde os custos de grãos pressionam.

Fitch alerta para riscos na correção de inteligência artificial

Em escala global, a agência de classificação de risco Fitch alertou que a correção nos ativos de inteligência artificial (IA) está se tornando um importante risco de crédito. “Embora o potencial da IA seja imenso, a alta concentração em poucos players e a possibilidade de bolha podem impactar empresas e bancos expostos”, diz o relatório.

Investimento estrangeiro em ações brasileiras cai

O fluxo de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira foi negativo em US$ 2,794 bilhões em junho, segundo dados da B3. O saldo negativo no ano soma US$ 12,3 bilhões, refletindo a aversão a risco global e as incertezas fiscais domésticas. Apesar disso, o mercado de capitais brasileiro bateu recorde de emissões no primeiro semestre, com R$ 180 bilhões captados, impulsionado por ofertas de renda fixa.

Perspectivas: cautela e oportunidades

Para o segundo semestre, gestores como a Armor Capital alertam que o quadro das contas públicas tende a piorar, com a despesa obrigatória crescendo acima da inflação e a receita desacelerando. “O mercado está míope, focado no curto prazo. A correção fiscal é inevitável”, afirma Luiz Otávio Leal, economista da Armor. Ainda assim, a temporada de balanços do segundo trimestre promete trazer novas oportunidades, com destaque para empresas de tecnologia e consumo.

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