O Ibovespa fechou em alta de 1% nesta quarta-feira, impulsionado pela divulgação do IPCA-15 de julho, que veio abaixo do piso das estimativas do mercado. A prévia da inflação, ao encostar no teto da meta, renovou esperanças de um novo corte de juros pelo Banco Central, mas analistas ressaltam que o cenário ainda exige cautela.
IPCA-15 surpreende e derruba juros futuros
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou variação de 0,30% em julho, abaixo do piso das projeções que variavam entre 0,35% e 0,50%. O resultado foi comemorado pelo mercado, que viu espaço para a política monetária se tornar menos restritiva. Com isso, os juros futuros recuaram em toda a extensão da curva, com o DI para janeiro de 2025 caindo para 12,15% ao ano.
Alívio, mas não vitória
Apesar do movimento positivo, especialistas evitam declarar vitória contra a inflação. O IPCA-15 ainda está próximo do teto da meta de 4,5%, e núcleos de serviços seguem pressionados. "O dado é um alívio, mas a trajetória de desinflação ainda é lenta e pode exigir paciência", afirmou um gestor de renda fixa, sob condição de anonimato. O mercado agora aguarda a decisão do Copom na próxima semana, que pode reduzir a Selic em 0,50 ponto percentual.
Impacto no mercado acionário
A alta do Ibovespa foi puxada por ações de consumo e varejo, sensíveis a juros mais baixos. Magazine Luiza (MGLU3) subiu 3,5%, enquanto Lojas Renner (LREN3) avançou 2,8%. Já os papéis de bancos tiveram desempenho misto, com Itaú (ITUB4) em alta de 0,5% e Bradesco (BBDC4) recuando 0,2%. O volume financeiro do dia foi de R$ 18 bilhões, acima da média recente.
Perspectivas para os próximos meses
Analistas do BB Investimentos destacam que a surpresa com o IPCA-15 aumenta a probabilidade de cortes de juros no segundo semestre, mas alertam para riscos fiscais. A tramitação do arcabouço fiscal no Congresso e as expectativas de inflação para 2024 ainda acima da meta podem limitar o espaço para afrouxamento monetário. "O Copom deve manter tom cauteloso, mas o dado abre espaço para um ciclo de cortes moderados", concluiu o relatório.



