O Ibovespa subiu 1% nesta sessão, impulsionado pela surpresa positiva do IPCA-15, que veio abaixo do piso das projeções do mercado. A prévia da inflação de julho registrou variação de 0,19%, ante expectativa mediana de 0,30%, segundo dados do IBGE. O resultado aliviou as preocupações com a pressão inflacionária de curto prazo, mas analistas destacam que ainda não é hora de comemorar.
O que motivou a alta da bolsa?
A leitura mais baixa do IPCA-15 foi o principal catalisador do movimento de alta. O índice encostou no teto da meta de inflação, mas ficou abaixo do piso das estimativas de mercado, o que gerou um forte repique nos ativos de risco. Setores mais sensíveis a juros, como consumo e construção civil, lideraram os ganhos. Para analistas da XP, o mercado vê alívio, mas não vitória, pois a trajetória da inflação ainda depende de choques externos e da atividade econômica.
Impacto nos juros futuros
Os juros futuros recuaram em toda a extensão da curva, com destaque para os vencimentos mais longos. A taxa do DI para janeiro de 2026 caiu de 12,10% para 11,95%. A redução reflete a expectativa de que o Banco Central possa manter ou até acelerar o ciclo de cortes na Selic. Segundo o economista-chefe de uma grande corretora, o IPCA-15 abre espaço para um corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião do Copom, em agosto.
Perspectivas para a política monetária
Apesar do alívio, o mercado mantém cautela. A meta de inflação de 3,25% para este ano ainda está distante, e a atividade econômica mostra resiliência. Especialistas consultados pelo Notícias do Brasil avaliam que o Copom deve seguir com cortes graduais, mas o ritmo dependerá dos próximos dados de inflação e da evolução fiscal. O Comitê de Política Monetária já indicou que manterá a cautela, e o IPCA-15 mais baixo não muda a necessidade de rigor.
Reação do mercado cambial
O dólar comercial fechou em leve queda de 0,1%, cotado a R$ 5,05, refletindo o ambiente mais favorável para ativos brasileiros. O real se fortaleceu frente a moedas emergentes, mas o movimento foi contido pela incerteza global sobre os juros americanos. Operadores avaliam que a manutenção da taxa pelo Fed nesta semana pode trazer mais volatilidade.
Os investidores agora aguardam a divulgação do IPCA de junho, na próxima semana, para confirmar a tendência de desaceleração. Se confirmada, a bolsa pode testar novos patamares, mas o teto dos 177 mil pontos ainda é um desafio, segundo analistas técnicos.



