O Ibovespa fechou em alta de 1% nesta terça-feira, impulsionado pela divulgação do IPCA-15, a prévia da inflação oficial, que veio abaixo do piso das expectativas do mercado. O índice de preços ao consumidor subiu 0,30% em julho, ante projeção mediana de 0,35%, segundo pesquisa da XP. A leitura mais branda aliviou as pressões sobre a política monetária, levando os juros futuros a recuarem em toda a extensão da curva.
Impacto no mercado de juros e na Bolsa
Com o IPCA-15 dentro do teto da meta, mas ainda pressionando, o mercado passou a precificar uma chance maior de corte na Selic na próxima reunião do Copom. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 caíram 5 pontos-base, para 13,35%, enquanto os DIs longos recuaram até 7 pontos. O movimento foi generalizado, beneficiando ações sensíveis a juros, como as de varejo e construção civil.
“O dado veio melhor do que o esperado, mas ainda estamos longe de uma vitória contra a inflação. O mercado reage com alívio, mas o Banco Central deve manter a cautela”, afirmou um estrategista da XP, em condição de anonimato. A queda dos juros futuros também reflete a percepção de que a atividade econômica pode estar perdendo força, o que reduziria pressões inflacionárias adiante.
Surpresa positiva, mas não vitória
Apesar da alta do Ibovespa, analistas ponderam que o IPCA-15 ainda está acima do centro da meta de 3,25%, e que serviços seguem resilientes. A prévia de julho mostrou desaceleração em relação a junho, quando havia subido 0,44%, mas a composição ainda preocupa. Os núcleos de inflação, que excluem itens voláteis, ficaram em 0,37%, ainda elevados.
“O mercado vê espaço para um alívio adicional na curva de juros, mas a vitória contra a inflação depende de uma desaceleração mais consistente dos serviços e da ancoragem das expectativas”, comentou um economista-chefe de um grande banco, sob reserva. Para ele, o Copom deve manter a taxa Selic em 13,75% ao menos até que os sinais de desinflação se consolidem.
Perspectivas e recomendações
Com o cenário, as ações mais expostas ao ciclo econômico, como as do setor de consumo e construção, ganharam tração. O índice de consumo do Ibovespa subiu 1,5%, liderando os ganhos. Já os papéis de empresas exportadoras, como de commodities, tiveram desempenho misto, com o dólar recuando 0,3% ante o real.
O IPCA-15 fechou o mês em 0,30%, acumulando alta de 3,99% em 12 meses, contra 4,06% no mês anterior. O resultado veio dentro da meta de 3,25% a 4,75%, mas ainda pressiona o Banco Central. A próxima reunião do Copom, em agosto, será crucial para definir os rumos da política monetária.



