O Ibovespa futuro opera em queda nesta terça-feira (23), refletindo o clima de aversão a risco nos mercados globais e a expectativa pela divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). Os investidores monitoram de perto as decisões de política monetária no Brasil e no exterior, em meio a temores de que o aperto monetário possa se prolongar.
Mercados globais pressionam
As bolsas internacionais recuam, com destaque para o setor de tecnologia, que sofre forte desvalorização. O índice Nasdaq, por exemplo, cai mais de 2% no pré-mercado, arrastado por resultados fracos de grandes empresas e preocupações com a alta dos juros. Na Europa, o índice Stoxx 600 também opera em baixa.
Segundo analistas, o movimento é impulsionado por declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed) sinalizando que os juros americanos podem permanecer elevados por mais tempo. Isso aumenta o custo do capital e reduz o apetite por ativos de risco, impactando diretamente o mercado brasileiro.
Ata do Copom no centro das atenções
No Brasil, o foco está na ata da última reunião do Copom, que será divulgada às 8h. O documento deve trazer mais detalhes sobre a decisão unânime de manter a Selic em 14,25% ao ano. O mercado espera pistas sobre o ritmo de cortes futuros e a visão do Banco Central sobre a inflação.
Na semana passada, o Copom elevou o tom hawkish, indicando que vê custo elevado para levar a inflação à meta já em 2027. A ata deve reforçar essa postura, o que pode pressionar ainda mais os ativos locais.
Dólar e juros em alta
O dólar opera em alta frente ao real, cotado a R$ 6,05, com investidores buscando proteção. Os juros futuros também sobem, com o DI para janeiro de 2027 projetando taxa de 15,2% ao ano. A combinação de juros altos e incerteza fiscal mantém o mercado cauteloso.
No cenário corporativo, a MRV vendeu empreendimentos nos EUA por US$ 139 milhões, enquanto a Azevedo & Travassos aprovou grupamento de ações. Esses movimentos, porém, têm impacto limitado diante do cenário macro.
Expectativas para o restante do dia
Os investidores aguardam também a divulgação de dados econômicos nos EUA, como o índice de confiança do consumidor, e a fala de dirigentes do Fed. Qualquer sinal de alívio nos juros americanos pode reverter parte da aversão a risco, mas o cenário ainda é de cautela.
No Brasil, a ata do Copom será o principal driver, e qualquer sinalização mais dovish pode dar suporte ao Ibovespa. Contudo, a tendência de curto prazo é de volatilidade, com o mercado ajustando-se às novas projeções de juros.



