O Ibovespa fechou praticamente estável nesta quarta-feira, sustentado pelo avanço das ações da Petrobras e pela alta do petróleo no exterior, enquanto o dólar subiu para R$ 5,11, refletindo o ambiente de aversão ao risco global. O mercado digeriu o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, que elevou os preços da commodity em mais de 4%, e as incertezas em torno do tarifaço americano.
Petrobras e petróleo em destaque
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) registraram nova alta, impulsionadas pelo avanço do petróleo no mercado internacional. O barril do Brent fechou em alta de 4,2%, cotado a US$ 79,80, com a escalada de tensões no Oriente Médio após os EUA destruírem uma torre de vigilância iraniana no estreito de Ormuz. O Irã sinalizou retaliação, aumentando o prêmio de risco geopolítico.
Segundo analistas, a alta do petróleo beneficia diretamente a Petrobras, que é uma das principais componentes do Ibovespa. No entanto, o mercado ainda avalia os impactos do tarifaço de Trump sobre a economia global. “O tarifaço ainda não foi precificado totalmente; há um temor de reciprocidade e de escalada comercial”, afirmou um estrategista de mercado.
Dólar sobe e bolsas de NY caem
O dólar comercial fechou em alta de 0,8%, cotado a R$ 5,11, pressionado pela busca por proteção diante da queda das bolsas em Nova York. O S&P 500 recuou 1,2%, e o Nasdaq caiu 2,1%, com forte tombo das ações de tecnologia. A Netflix tombou após resultados e cenário de desaceleração do crescimento, arrastando o setor.
No Brasil, o vencimento de opções sobre o Ibovespa e a ausência de um direcionador claro no exterior deixaram o índice sem direção única. O volume financeiro foi de R$ 24 bilhões, dentro da média.
Tarifaço e impacto nas exportações
A ApexBrasil informou que US$ 7,2 bilhões dos US$ 38 bilhões de exportações brasileiras aos EUA são afetados pelo tarifaço americano. O governo brasileiro busca alternativas, incluindo a emissão de panda bonds na China, conforme plano de Lula para medir o interesse de empresas brasileiras pelo mercado chinês.
O presidente do Senado, Alcolumbre, prorrogou a medida provisória que contém a alta dos combustíveis, enquanto o senador Flávio Bolsonaro voltou a defender uma mulher como vice-presidente, citando Daniella Marques entre as opções.
Produção de soja e clima
A produção de soja do Brasil pode crescer menos de 1% na safra 2026/27, limitada pelo fenômeno El Niño. O clima adverso preocupa o agronegócio, que já enfrenta custos elevados. A produção de soja deve atingir 165 milhões de toneladas, apenas 0,8% acima da safra anterior.
Mercados internacionais
Na Europa, as bolsas fecharam mistas, com investidores monitorando a crise política no Reino Unido, onde Burnham foi oficializado líder trabalhista e assume como premiê. No Chile, um temporal deixou mortos e provocou inundações com ventos superiores a 100 km/h.
Trump restringiu vistos de estudantes, intercambistas e jornalistas nos EUA, e acusou a China de interferir em eleições, colocando em risco a trégua comercial entre os países. O STF marcou depoimento de Flávio Bolsonaro em inquérito por fala sobre Lula.
Perspectivas
O mercado segue atento aos balanços corporativos e à política monetária. A Selic ainda em alta abre oportunidades para investimentos em renda fixa, com taxas atrativas em CDBs, LCIs e LCAs. A XP Seguridade discutiu o papel dos seguros no planejamento financeiro, enquanto a Kinea questiona se US$ 1 trilhão investido em IA terá o retorno esperado.
O petróleo deve continuar volátil, com o Irã sinalizando retaliação e os EUA mantendo pressão. O Ibovespa pode buscar direção com a definição das tarifas e o cenário externo.



